26/12/2018 - 13h
Reajuste de energia elétrica deve ser menor em 2019
Elevação deverá ser de 0,38%

Conforme publicação do Folha de São Paulo, após encarar dois anos com fortes altas na conta de luz, os brasileiros terão um alívio em 2019, com reajustes bem abaixo das taxas de dois dígitos vistas em 2017 e 2018.

Em 2019, a tarifa deverá ficar praticamente estável, com elevação média de 0,38%, segundo cálculo da TR Soluções, empresa de tecnologia especializada em tarifas de eletricidade.

Há variações significativas entre as 38 distribuidoras analisadas pela companhia, uma vez que cada uma delas tem seus reajustes marcados para diferentes épocas do ano e são afetadas por distintos fatores que influem o cálculo, explica Helder Sousa, diretor da TR e responsável pelas projeções.

Na média, as distribuidoras do Nordeste terão a maior alta, de 3,09%, seguidas pelas do Centro-Oeste (2,13%) e do Sudeste (0,94%). No Sul e no Norte, a expectativa é de retração na conta, de -2,58% e -5,03%, respectivamente.

Em 2018, a forte alta da conta de luz foi impactada principalmente pelo regime de chuvas fraco, que reduziu a capacidade de geração das usinas hidrelétricas, a principal fonte de energia do país.

Para compensar esse déficit hídrico, é preciso acionar mais usinas térmicas, movidas a óleo diesel ou gás natural, que são mais caras.
Normalmente, esse gasto extra é compensado pelas chamadas bandeiras tarifárias (adicionais na conta de luz, que variam de mês a mês).

No entanto, as condições hidrológicas foram tão ruins que as bandeiras não foram suficientes para cobrir as despesas, e as distribuidoras acabaram acumulando um rombo bilionário que foi repassado aos consumidores no reajuste anual das tarifas.

A falta de chuvas continuará um problema, mas deverá afetar menos as tarifas definidas em 2019.

Outro importante fator que pressionará as tarifas para baixo em 2019 é o fim do pagamento de um empréstimo contraído pelas distribuidoras de luz em 2013 e 2014.

Outro ponto favorável ao consumidor, principalmente das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, é o dólar mais baixo —o que alivia principalmente a tarifa da usina de Itaipu.

Ainda assim, os fatores que pressionam para cima a conta de luz ainda são muitos, como os diversos subsídios pagos pelos consumidores.

Esses encargos servem para custear programas sociais, geração de energia em regiões isoladas e descontos para agricultores, entre outros.

Em 2019, essa conta somará R$ 17,2 bilhões, segundo a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

A redução desses subsídios é uma das principais bandeiras de agentes e analistas do setor elétrico para reduzir a conta de luz dos consumidores. Um eventual corte nessa conta, porém, é polêmico, uma vez que setores beneficiados deverão resistir ao corte.



Fonte: Folha de São Paulo
Impresso em: 06/12/2019 às 17:52


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