Rádio Rural AM 840

OPINIÃO

LUAN DE BORTOLI




Uma dor profunda e muito pessoal

Praticar a empatia nos faz melhores.
Adicionado em 27/09/2019 às 07:44:29

Encerra na segunda-feira, dia 30, mas ainda dá pra falar. Estamos vivendo o setembro amarelo, mês todo direcionado para a prevenção e a conscientização sobre o suicídio. Frescura para alguns, excesso para outros, este é um problema que está aumentando enquanto muitas pessoas discutem a relevância e esquecem de ajudar.

Grande parte das pessoas que comete ou pensa no suicídio tem algum nível de depressão, o mal do século. E não podemos brincar com vidas. Não está em jogo se o que causa a depressão e os pensamentos suicidas é “besteira” ou não. Ora, é claro que o motivo importa. Mas, acima de tudo, o que está em jogo é a solução. Temos que estar atentos e ajudar quem necessita.

Julgar é fácil. E é também um gatilho para mais uma pessoa tirar sua própria vida. Será que nossos julgamentos valem isso? É mais importante o que eu ou você pensamos sobre o problema na vida do outro ou é mais importante evitar que o problema – que pode ser insignificante para a gente, mas é um peso enorme para o outro suportar – culmine no fim da linha de toda uma vida?



Suicídio não é brincadeira ou frescura. Não acomete adolescente mimado, ou adulto que queira chamar a atenção. Ele mexe com a mente. É fruto da depressão. De uma dor muito pessoal, que você pode saber lidar, mas o outro não. De uma busca pela saída de um labirinto mental feito de paredes dolorosas e armadilhas perigosas.

Vamos praticar a empatia. Vamos ser responsáveis não pelo fim de uma vida, mas pelo salvamento dela. É preciso, URGENTEMENTE, que paremos de opinar sobre tudo que acontece na vida do próximo e estarmos mais atentos aos pedidos silenciosos de socorro. Certamente você, eu, todos nós, ficaremos mais orgulhosos de termos ajudado a salvar do que sermos, direta ou indiretamente, responsáveis por puxar um gatilho mental perigoso.

Para quem enfrenta o problema ou simplesmente quer ajudar de alguma forma, existe um serviço, o Centro de Valorização da Vida, que atende pessoas do Brasil inteiro. Os atendentes estão disponíveis para ouvir e prestar apoio para quem está precisando – é o 188.



Acho, humildemente, que nossa função, e até dever, é segurar a mão de quem está para cair no abismo. É o básico da empatia. E caso sua empatia não chegue tão longe, vale aquele ditado: se não ajuda, também não atrapalhe. De qualquer forma, seja para o outro aquela pessoa que você quer que esteja em sua vida. 

Dados, caso você queria saber um pouco mais

Conforme a reportagem da Piauí, no site da Folha, os suicídios têm aumentado no Brasil tanto em números absolutos quanto na taxa por 100 mil habitantes. Em 1997, o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do DataSUS, registrou 6.923 casos, correspondentes a um índice de 4,34 mortes por 100 mil habitantes. 

O total de óbitos por lesões autoprovocadas intencionalmente chegou a 12.495 casos, ou 6,02 suicídios por 100 mil habitantes no país em 2017, último dado disponível. Na série histórica que vai de 1999 a 2017, o total de casos teve redução apenas em dois anos (1999 e 2002) na comparação com o período anterior. 

Os dados do SIM indicam que o número de suicídios entre crianças e adolescentes cresceu nos últimos anos. Em 2017, o sistema identificou o suicídio de 1.055 crianças e adolescentes de até 19 anos, uma alta de 16,9% na comparação com 2016.

Os dados mostram ainda que a incidência de suicídios é maior entre os idosos (60 anos ou mais) do que em outros grupos etários. A taxa foi mais alta na parcela de maior idade da população entre 2015 – quando atingiu 7,76 casos por 100 mil habitantes – e 2017 – último ano com dados disponíveis, quando se registraram 8,19 mortes por 100 mil. 





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Edegar Giordani comentou em 27/09/2019 as 13:44:35
Boa Tarde Luan, muito oportuna tua colocação na Coluna desse tema, muito difícil de se analisar os motivos pelos quais certas pessoas entram nessas situações, na minha opinião são problemas que vão se acumulando, chegando a um ponto que a pessoa não consegue mais sair sozinha, pois envolve problemas pessoais de saúde, financeiros, amorosos...etc..etc. ou que acontecem dentro da própria Família, quando isso ocorre, e o problema é familiar, a pessoa fica sem o apoio de quem mais deveria receber.




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