Rádio Rural AM 840

OPINIÃO

EDERSON VILAS BOAS



Jornalista
Éderson Carpeggiani Villas Bôas
Jornalista formado pela UnC Concórdia em 2007
Repórter do Departamento de Jornalismo da Rádio Rural
Repórter Esportivo da Rádio Rural
Comunicador da Rádio 96 FM




​Negra… Pobre… Mulher, mas digna

Nas últimas semanas o racismo e a discriminação, lamentavelmente, ganharam espaço em páginas e canais de TV.
Adicionado em 18/06/2020 às 06:17:21

Acompanho muito as redes sociais. Tem tanta coisa fútil por aí, que dá vontade de escrever m#&%. Mas respeito todas as declarações, manifestações. Por falar em respeito, ou a falta dele, nestes últimos tempos, temos acompanhado um bombardeio de fatos raciais no mundo todo. Inadmissível que na época em que vivemos temos que ver, ouvir e passar por estas situações lamentáveis. Tenho vários amigos negros, Ciminho, Nego Zico, Kim, Fabrício, Seu Osni, Arizinho… Tantos outros. E os respeito. Meus antecessores, por parte de pai, são negros, mulatos… E tenho orgulho disso.

E, em meio a tudo isso, no domingo que passou, me deparei com uma magnífica postagem da Jornalista Rafa Pille, onde falou sobre essa temática e peço permissão para usar a mesma ideia pra esta minha coluna. A personagem da publicação da Rafa é uma pessoa que tem uma história de superação em meio a essa pandemia de atos racistas: Meire Rosa. Costumo falar que a Meire é uma sobrevivente deste mundo, ainda benevolente, pois, ela é negra, pobre e… Mulher. Sim, são três características que pesariam pra ela desistir de correr atrás da felicidade. Mesmo assim, ela encarou e venceu.

A Meire está em Concórdia há muitos anos. Chegou chamando atenção. Sim, como escrevi antes, vivemos em uma sociedade benevolente e que discrimina as pessoas no primeiro olhar. E, por ter chegado com quatro filhos, passava o dia todo na Praça Dogello Goss com a criançada e era alvo de olhares desconfiados. O que uma negra, com quatro filhos, está fazendo num lugar público? Como vivem estas crianças sem uma moradia? Comentários assim não foram poucos. Pois, os pais destes quatro filhos viviam de artesanato e arte de rua.

Mas o destino se encarregou da vida da Meire. Primeiro, em uma situação trágica, um dos filhos acabou falecendo. Ficou doente e perdeu a vida. Além do sofrimento, ela teve dificuldades para fazer o exame que constatasse a morte cerebral e aguardou por horas para um diagnóstico legal, mesmo sabendo que a morte era inevitável. Foi então, que este fato, fez com que ela encarasse a realidade de frente, pois tinha outras três crianças pra criar e dar um caminho digno.

A mulher/negra/pobre não se intimidou aos olhares contrários à sua classe social e arregaçou as mangas. Ela estudou, se reinventou e inventou. Sim, criou um trabalho voltado exatamente às suas paixões: a arte e as crianças. Criou o projeto “Quintal da Meiroca” e hoje trabalha com crianças em eventos e festas infantis. Poderia ter desistido? Obviamente! E isso seria fácil de ter acontecido.

Mas a Meire foi um dos exemplos, iguais à de muitos negros nesse país. Ela usou a discriminação pra levantar a cabeça. Ela olhou pra cor da sua pele e entendeu que os direitos dela são iguais aos dos demais. Ela viu que ser inteligente independe do sexo. E ser pobre não é razão social, CNPJ, pois dignidade não se compra.

A história desta artista serve de exemplo pra cada um de nós. O fato de ser Negra… Pobre… e Mulher não a difere de ninguém. Muito pelo contrário, hoje ela está melhor que muitos daqueles que a discriminaram no centro da cidade, enquanto brincava com os filhos, em um pano estendido no gramado da Praça.

Parabéns Meire. A vitória é dos fortes de espírito… de coração bom.





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