Rádio Rural AM 840

OPINIÃO

SIMONE VIEIRA



Jornalista
Formada em Comunicação Social - Radialismo (Unoesc/Joaçaba). Formada em Jornalismo (UnC/Concórdia). Pós-Graduada em Análise, Escritura e Reescritura Textual (URI/Erechim). Pós-graduada em Marketing e Vendas pela FACC. Formada em Direito pela FACC.




Ela possui uma nova missão

Contadora Ingra Ohana se recupera em casa depois de levar 22 facadas
Adicionado em 19/02/2020 às 10:25:43

Basta uma olhada rápida em nossa editoria de polícia para você verificar quantas notícias relacionadas à ameaças, agressões, lesões contra à mulher. Muitas mulheres que já sofreram violência doméstica ou estão em situação de risco apresentam comportamentos comuns, percebem algo estranho, mas tentam justificar o ato do agressor. Afinal ela escolheu aquela criatura pra ser seu marido, pai dos seus filhos, e por medo das reações violentas que estes ameaçam realizar, contra a mulher e seus familiares muitas vezes "aguentam a situação". 

Violência física e psicológica é crime e normalmente acontece de forma gradativa. Geralmente começa com situações de conflitos envolvendo ciúmes de forma exagerada, xingamentos, empurrões, até a agressão física. Por mais desculpas, presentes que o agressor propicie para pedir perdão, a chance da reincidência é muito grande após a reconciliação.

Fique atenta aos sinais e denuncie, disque 180. A agressão física ou verbal destrói a harmonia da família toda, afinal os filhos sofrem juntos quando o casal possui conflitos irreconciliáveis. E nada justifica ceder aos impulsos mais primitivos, animalescos, do uso da força física, para compensar a dor que um conjuge pode ter causado, como a dor da rejeição, da perda, da troca por outra pessoa. 

A Polícia e a Justiça só fazem o que a lei permite. Ontem Serginho Primam publicou matéria de diligências, busca e apreensão de armas e averiguações relativas a denúncias de violência doméstica em Linha Vitória, hoje Ederson Villas Boas relatou mais um caso em Presidente Kenedy. E como não se comover com o vídeo feito no hospital e hoje na publicação da contadora Ingra Ohana que virou ícone da luta contra a violência doméstica. 
 
Quando houver risco iminente à vida ou à integridade física da mulher em situação de violência doméstica, ou de seus dependentes, o agressor será imediatamente afastado do local de convivência com a vítima ofendida.

Conforme a lei 13.827/2019, são facilitadas as concessões de medidas protetivas a mulheres vítimas de violência doméstica. A medida pode ser determinada pela autoridade judicial, a pedido do delegado de polícia, quando o município não for sede de comarca, pelo policial, quando o município não for sede de comarca e não houver delegado disponível no momento da denúncia. 

Não estamos aqui para julgar os agressores. Muitos deles viram os pais em casa batendo, xingando, humilhando suas mães e acreditando que isso é normal. Muitos possuem a autoestima tão baixa que se a mulher começar a se cuidar, ganhar mais do que eles, passam a rebaixá-las, desdenhando de suas capacidades ou de sua fidelidade. Muitos afirmam que se forem "deixados", a mulher não "será" de mais ninguém. A incapacidade de encontrar valor em si mesmo, faz com que a dor da rejeição seja insuportável. E  no meio de tudo isso tem a dor que os filhos, que amam, veem seus pais como espelho, são esponjinhas que absorvem tudo e vão projetar em seus relacionamentos o que viveram com seus exemplos dentro de casa, 

Não há uma solução geral. Cada caso exige uma medida diferente. Se o casamento não é para sempre, os filhos são. Mulheres busquem proteção, auxílio, apoio, atendimento psicológico e a lei não proíbe a Legítima Defesa. Homens, buscar ajuda de um profissional da psiquiatria e da psicologia pra lidar com as frustrações é sinal de força e coragem. Agressão física é no mínimo um ato de covardia. 





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