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SERÁ MESMO QUE O TEMPO APAGA? Hoje, um ano das execuções de mãe e filha em Guaraipo, Arabutã (ÁUDIO)
Reportagem da Rural e 96 FM faz matéria especial sobre o crime que abalou o Brasil.


Por Marcos Feijó
30/03/2017 - 06h
- Atualizada em 30/03/2017 - 14:17



Não era bem 18 horas do dia 30 de março de 2016 quando a reportagem da Rural/Rádio 96 recebeu ligação de uma fonte policial dando conta que no interior de Arabutã uma casa havia sido invadida e que pessoas foram mortas e uma camionete acabou roubada. Rapidamente Marcos Feijó e  Juliano Angeli fizeram o descolamento para a comunidade de Guaraipo. Somente quando lá chegaram souberam que na casa da família Lohmann, Lisete, de 42 anos e sua filha Stéfani, de 10 anos, haviam sido executadas com tiros na cabeça. E que o companheiro de Lisete, Valdir Danenhauer, 52 anos, também havia sido alvejado na cabeça, mas sobreviveu e estava a caminho do hospital de Concórdia. A caminhonete de Valdir havia sido roubada. Ninguém entendia a ação de, conforme relatos naquele momento, três homens encapuzados e que teriam chegado a pé.

Saindo do interior da residência, o delegado Álvaro Opitz, admitia que era uma das cenas mais tristes que tinha visto e sua carreia e que não descartava qualquer motivação. “Um como estava revirado, mas sem sinal de briga”, resumia o policial que a partir daquele momento assumia o inquérito.

Logo cedo no outro dia, 31 de março, o médico legista Alex Borges concedia entrevista, confirmando a barbárie: um tiro a queima roupa na cabeça de cada uma (mãe e filha). “Lisete recebeu o tiro a distância média e a criança a queima roupa”, informou o perito. 



E durante o dia 31, coincidentemente aniversário de Arabutã, o velório das vítimas ocorria no Centro Comunitário de Nova Estrela. A reportagem da Rural e da Rádio 96 acompanhou este momento de forte consternação. Os sepultamentos aconteceram no cemitério desta comunidade no final daquela tarde.

Quatro dias após os sepultamentos, o delegado Álvaro Opitz foi a Arabutã para ouvir familiares e testemunhas. Após prestar o seu depoimento, o pai de Lisete, avô de Stéfani, senhor Sírio,  que mantém um bar em Guaraipo, e a primeira pessoa a chegar na casa após Valdir sair gritando por socorro, concedeu entrevista para a Rural/Rádio 96, pedindo providências: “eu acredito na Justiça”, decretou.

Valdir Danenhauer foi alvejado por dois disparos na cabeça. Se fingiu de morto até o trio abandonar a casa. Ele ficou hospitalizado em Concórdia. O caso foi considerado delicado pelos médicos. Ele teve, realmente, muita sorte. Até mesmo a sua camionete foi encontrada intacta nas margens da SC 283. Pouco tempo após receber alta, a nossa reportagem esteve em sua propriedade e fez a única entrevista que ele concedeu até então. Era 29 de abril, praticamente um mês após o crime. “O médico me disse que de um milhão, somente um sobrevive com os ferimentos que eu sofri. Então sou esse um. Estou completando um mês de vida”, comentou completando não imaginar o que tinha ocorrido dentro da casa da companheira.

Passaram alguns meses da investigação policial, mas nenhuma novidade era posta publicamente.  Na metade do ano uma denúncia anônima levou a polícia para uma propriedade de Guaraipo. Armas foram apreendidas e uma pessoa presa por porte ilegal de revólver restito.  Em 21 de julho chegou o laudo pericial de que os tiros em Guaraipo não saíram daquelas armas. 

Surpreendente: familiar esta envolvido

No dia 23 de outubro é que o delegado Álvaro Opitz marca uma entrevista coletiva e anuncia o esclarecimento do caso: dois adultos e um menor estavam detidos. Um dos adultos era o mesmo preso com armas na metade do ano. Filho de Valdir Danenhauer e morador de Guaraipo. O outro adulto, que resolveu entregar o caso para a polícia, é de Seara e este apontou o armamento utilizado. E o menor, outro morador de Guaraipo. Na entrevista, o delegado diz que o motivo foi ganância. O filho de Valdir, idealizador e mandante, tinha receios do que aconteceria com futura herança. “Investigação inicial difícil, mas no meio dos trabalhos começaram as contradições e os álibis não fecharam”, resumiu o policial.

O senhor Sírio, agora falava aliviado afirmando que imaginava tal situação. “A gente desconfiava. Agradecemos a polícia”,  disse o pai de Lisete e avô de Stéfani.

Passou pouco tempo e o delegado concluiu o inquérito indiciando os autores adultos em dois homicídios triplamente qualificados sendo um com qualificadora por ser execução de criança, uma tentativa de homicídio e mais corrupção de menores e roubo de veículo. O menor indiciado pelos dois homicídios, pela tentativa e pelo roubo da camionete.

No dia 21 de novembro o ministério público ofereceu a denúncia e destacou a motivação como ganância. Em 14 de dezembro a Justiça aceitou tal denúncia na íntegra.  Mais recentemente, no dia 15 de março deste ano, aconteceu, em Ipumirim, a primeira audiência de instrução e julgamento com a presença dos três indiciados e testemunhas.

Nesta semana, para completar esta reportagem, tentamos ouvir um dos presos. É o adulto de Seara que está no presídio regional de Concórdia. A Administração do Presídio não retornou sobre o pedido. Também tentamos ouvir a irmã de Lisete, tia e professora de Stéfani. Através de um contato em Nova Estrela, ela agradeceu o interesse, mas disse que não tem, ainda, condições de se manifestar sobre o caso, mesmo um ano depois.



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