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União Europeia proíbe parte dos frigoríficos brasileiros de exportar frango; Concórdia na lista

Bloco europeu votou unanimemente a favor da retirada de 20 unidades brasileiras

Por Luan de Bortoli
19/04/2018 às 12h43 | Atualizada em 19/04/2018 - 20h56

A União Europeia anunciou nesta quinta-feira (19) a proibição de 20 frigoríficos brasilerios de exportar frango para o bloco econômico. O embargo entrará em vigor 15 dias após a decisão ser oficialmente publicada.

"Nós confirmamos que os representantes dos países votaram por unanimidade a favor de deslistar 20 estabelecimentos brasileiros de exportar carne e seus derivados (especialmente frango). A medida proposta pela comissão europeia é relativa a deficiências detectadas no sistema brasileiro oficial de controle sanitário", disse a UE, em comunicado da comissão sanitária do bloco.

Dona das marcas Sadia e Perdigão, a BRF é a maior produtora mundial de frango. As ações da empresa, que chegaram a disparar mais de 8% pela manhã na bolsa brasileira diante de possíveis mudanças na gestão da companhia, reduziram ganhos após a divulgação da decisão da UE.

Segundo a União Europeia, esses frigoríficos terão que "construir um histórico de conformidade com as normas da UE" para poder ser liberados para voltar a exportar. Fontes da UE disseram à TV Globo que a reabilitação dos frigoríficos pode levar anos.

Lista

O Valor Econômico teve acesso à lista de empesas atingidas, que são as seguintes: BRF de Rio Verde (GO), Concórdia (SC), Dourados (MS), Serafina Correa (RS), Chapecó (SC), Várzea Grande (MT), Capinzal (SC), Ponta Grossa (PR), Marau (RS), Toledo (PR), Francisco Beltrão (PR) e Nova Mutum (MT).

Os embargos, que já eram esperados depois de várias advertências sanitárias feitas recentemente pelo bloco europeu, também incluíram unidades de tradicionais cooperativas do Paraná: Copacol, de Cafelândia; Copagril, de Marechal Cândido Rondon; Coopavel, de Cascavel; e LAR, de Matelândia.

Outro frigorífico paranaense, da empresa Avenorte Avícola, de Cianorte, também está na lista. Outras empresas de menor porte também sofreram com o embargo: Zanchetta Alimentos, de Boituva (SP); São Salvador Alimentos, de Itaberaí (GO); e Bello Alimentos, de Itaquiraí (MS).


Impasse

Na terça-feira, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que o Brasil vai recorrer à Organização Mundial de Comércio (OMC) contra as restrições à carne brasileira pela União Europeia. Segundo Maggi, a Europa está usando preocupações sanitárias para tomar medidas comerciais contra o Brasil.

Desde a deflagração da operação Carne Fraca, em março do ano passado, a União Europeia reforçou as medidas sanitárias contra o Brasil.

Com a deflagração de uma segunda fase da operação em março deste ano, a UE passou a avaliar a necessidade de novas medidas contra o frango brasileiro. Na ocasião, a BRF foi acusada de fraudar laudos relacionados à presença de salmonela em alimentos para exportação em 4 unidades.

Para mitigar o problema, o próprio governo brasileiro suspendeu provisoriamente a exportação de 10 fábricas da BRF de frango para a Europa. No entanto, o Ministério da Agricultura liberou nesta quarta-feira as unidades para exportar para UE, mesmo admitindo que elas poderiam ser barradas pelo bloco econômico em seguida.

UE é maior importador de frango brasileiro

O Brasil é o maior exportador de frango do mundo e a União Europeia é seu principal comprador. O bloco é responsável por 7,5% do frango vendido pelo país ao exterior, em toneladas, e 11% em receita, segundo dados da ABPA.

Fonte: G1





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