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Em extinção no país, videolocadoras ainda sobrevivem em Concórdia e região
Proprietário da CineVídeo, a única de Concórdia, já admite fim do nicho de mercado.


Por Luan de Bortoli
Em 11/06/2018 - 08h06 - Atualizada em 12/06/2018 - 08:02


Foto: reprodução/internet

Enquanto a tecnologia vai cada vez mais dominando o dia a dia das pessoas, o antigo vai virando um artigo de luxo ou item de colecionador. O moderno começa a brigar com o tradicional para que ambos tenham espaço. Mas chega um momento em que isso não é mais possível. Exemplo disso são as videolocadoras. Quem nunca, principalmente na década de 90, ia até as inúmeras lojas alugar uma fita VHS para assistir com a família, especialmente aos fins de semana?

Mas com o advento da internet, esse tradicional cenário e programa familiar mudou. Hoje, na verdade, é quase raro. No país, o número das videolocadoras diminuiu tão rápido quanto aumentou o acesso à internet. No início dos anos 2000, conforme a União Brasileira de Vídeo (UBV), eram mais de 14 mil locadoras em todo o país. O número veio caindo vertiginosamente e, conforme dados mais recentes, em 2016 e 2017 o Brasil tinha menos de 3 mil unidades delas. Concórdia, que outrora ostentava 11 videolocadoras, hoje possui apenas uma.

A sobrevivente é a CineVídeo, com 24 anos de atuação e uma reputação de invejar muitas das grandes lojas país afora. Das mais tradicionais da região, a videolocadora já ostentou 60 mil clientes inscritos. Hoje, a loja recebe, mensalmente cerca de duas mil pessoas que ainda alimentam o hábito de alugar um vídeo – agora não mais em VHS e sim em Blu-ray – e usufruir da qualidade de imagem, mantendo acesa a luz desta tradição.

A empresa possui um raro e ousado acervo, de fazer inveja para muitas videolocadoras: são 30 mil filmes à disposição dos clientes. Mas o proprietário Adriano Pasetto sabe que a realidade está mudando. “É uma tendência atual o pessoal buscar filmes de outras maneiras, que não mais as locadoras. Nas cidades grandes não existem mais praticamente. Mas na nossa cidade ainda existe o hábito”, comenta.

E este hábito de clientes que ainda fazem questão de “bater ponto” na CineVídeo tem explicação, já que, com o tempo, houve algumas mudanças e aprimoramentos no ato de locar filmes. “Os lançamentos chegam antes às locadoras, logo depois do cinema. Agora o espaço entre cinema e vídeo é mais curto. E quem presa por qualidade, porque você acaba conseguindo ver em alta definição. Isso mantém nossa qualidade assídua ainda”, pontua.

Com os dias contados

Atento ao panorama nacional e sabendo que o tradicional muitas vezes perde espaço para o moderno, Adriano é sereno ao afirmar que o futuro deste nicho de mercado é desaparecer. E isso deve acontecer com a CineVideo em médio prazo. “Essa tendenciá é irreversível. A gente pensa que em médio prazo, a atividade vai acabar se extinguindo. Mas no momento não, porque a gente trabalha também com videogame, que é um mercado que vem crescendo. Mas sem dúvida, a gente tem planos”, argumenta.

Diante deste cenário de queda de clientes e a consequente redução nas receitas, as empresas têm buscado alternativas para continuar rentável. Para isso tem contado até com o apoio das produtoras. “De um certo modo, pela diminuição de clientes, as locadoras que se mantêm ativas é por incentivo das próprias produtoras. Nosso principal custo, que é a aquisição de filme, diminuiu muito, porque a forma de comercialização mudou. É uma forma de incentivo de mercado, e isso faz com que a gente consiga equilibrar nossas contas”.

Outra dificuldade que as videolocadoras, bem como a CineVideo, vem enfrentando, além da perda de clientes, é o produto no mercado. Enquanto que as produtoras incentivam a facilidade na compra dos filmes, há também a redução na produção deste produto. “Antigamente existia uma oferta muito maior de filmes, filmes europeus. À medida que as locadoras vão desaparecendo, o número de DVDs replicados se torna inviável. Aí acaba que fica os filmes de grande sucesso. A gente teme que a médio prazo as empresas parem de produzir o DVD ou Blu-ray”, lamenta.

A internet e o fácil acesso a conteúdos

Mas para tudo há uma explicação. E o desaparecimento das videolocadoras pode ser explicado, basicamente, pelo surgimento e ascensão da internet. Mas há outros fatores, conforme Adriano – todos atrelados a ela. “Eu acredito que a facilidade de acesso a conteúdo via online é o mais importante. As TVs por assinatura também estão disponibilizando mais filmes, o que não era assim. Além disso, o público jovem tem migrado. Tem havido um certo distanciamento dos filmes em favor de séries. É uma mudança bastante significativa para o nosso mercado. Além disso, o tempo do nosso cliente é também disputado com as redes sociais. O cinema também vem sofrendo com isso”, argumenta.

Com esta realidade já consolidada, e pensando no futuro, a pergunta que fica é: o que fazer com os filmes do grande acervo com o fim parecendo tão iminente? “O pessoal tem demonstrado interesse, colecionadores, que adquirem o filme para manter uma videoteca em casa. Nossa expectativa é que boa parte do acervo seja vendido par aos nossos clientes. Vamos começar em breve uma campanha de venda”, revela.

Adaptando-se ao mercado

A realidade de Concórdia não é muito diferente da região. Em Seara, por exemplo, há mais videolocadoras em funcionamento. Mas todas elas passam por um fenômeno nacional, cujo nicho de mercado vem passando: se adaptando para não fechar. Conforme informações, o município vizinho possui quatro lojas. Mas nenhuma é exclusiva para vídeos. Uma aluga filmes, mas também trabalha com sorvetes. Outra, incrementou a perfumaria, enquanto que outra também trabalha com eletrônicos. A quarta, além de alugar filmes, reformou a estrutura e utiliza como um pub.

Em Chapecó, a situação é semelhante. A reportagem não conseguiu apurar a quantidade exata de videolocadoras. Mas a maioria que existia, já fechou as portas. Outras, continuam abertas, mas não alugam mais filmes. Elas mudaram de ramo, indo para a venda de celulares, capinhas, bijuterias e outros. Achar uma videolocadora exclusiva com filmes, por lá, virou tarefa difícil, uma realidade que está cada vez mais presente em pequenos e grandes centos. 



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