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Dia Internacional da não Violência contra as Mulheres alerta para o problema em Concórdia

O Brasil é o quinto país que mais mata mulheres no mundo.

Por Luan de Bortoli
22/11/2018 às 13h15

A cada dez feminicídios cometidos em 23 países da América Latina e Caribe em 2017, quatro ocorreram no Brasil. Segundo informações da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), ao menos 2.795 mulheres foram assassinadas na região, no ano passado, em razão de sua identidade de gênero. Desse total, 1.133 foram registrados no Brasil. 

O Brasil é o quinto país que mais mata mulheres no mundo. São 4,8 homicídios para cada 100 mil brasileiras. O Mapa da Violência de 2015 aponta que, entre 1980 e 2013, 106.093 pessoas morreram por sua condição de ser mulher. Do total de feminicídios registrados em 2013, 33,2% dos homicidas eram parceiros ou ex-parceiros das vítimas. O chefe da ONU, António Guterres chegou a afirmar recentemente que a violência é uma pandemia global.

Neste encontro realizado pela ONU, foi feito o lançamento mundial da campanha anual 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres. As ações de conscientização têm início normalmente no 25 de novembro e seguem até 10 de dezembro, Dia dos Direitos Humanos. E exatamente no domingo, dia 25, é celebrado o Dia Internacional da Não Violência contra as Mulheres. Dados apontam que é só cresce o número de violência contra a mulher no Brasil. 

O dia 25 de novembro foi instituído como Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher, em homenagem a três irmãs, da República Dominicana, que foram assassinadas em 1960, a mando do ditador Rafael Leônidas Trujillo, porque combatiam fortemente a ditadura. “É um dia para intensificar as reflexões sobre a situação de violência em que vive considerável parte das mulheres em todo o mundo”, diz Rozana Orsolin, membro do Conselho Municipal da Mulher.

A problemática é discutida também em Concórdia, através do Conselho Municipal da Mulher. “A gente percebe uma dificuldade de pais e mães de frustrar. Como se tivesse que satisfazer as vontades da criança. E isso ajuda a mais tarde não aceitar perdas. Não aceitar que minha namorada não me quer mais. Passa por fatores familiares [a violência contra mulher]”, comenta Rozada.

Mas nem toda sociedade está alheia ao problema. Homens já encabeçam ações contra a violência. “Existe uma campanha do laço branco, no dia 6 de dezembro, que é Homem pelo fim da violência contra a mulher”, destaca Rozana.

A delegacia trabalha com ações para conter este problema. “A violência tem um ciclo. E a gente percebeu que algumas vítimas voltam para o marido. Então a gente pensou em fazer algo que ela cessasse as agressões. Que ela dissesse não aceito mais isso. É uma ação através da DPCAMI, para dar um empoderamento às mulher, para ter essa força de dar um basta na violência”, comenta a delegada Ediana Grenzel Person.

O grupo de entrevistas também frisou que a violência não é apenas física. “Na família que sofre a mulher, sofre o filho, a família. E essa violência psicológica é a que mais ocorre. Ela é o início dessa escalada. Nem todos os casos de violência chega à física”, lembra Rozana. “Os filhos são os motivos que levam as mulheres a ficar em um relacionamento abusivo”, frisa a delegada.

Em Concórdia, há algumas ações que visam ajudar as vítimas de violência de forma legal e psicológica. “Em Concórdia, temos a DPCAMI para receber essas mulheres vítimas de violência, e também o CRAS e CREAS (3442-9523), para dar orientação, além do DISK Denúncia, que é o 180”, explica Rozana.






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