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Frei Luiz Toigo já deixou Concórdia, mas garante que volta

Neste fim de semana, ele deverá rezar suas primeiras duas missas em Luzerna

Por Luan de Bortoli
01/02/2019 às 07h00 | Atualizada em 01/02/2019 - 17h51

O frei Luiz Toigo já deixou o município. Ontem, quinta-feira, dia 31 de janeiro, foi o último dia em que o religioso esteve oficialmente no município. Hoje, ele já está em direção ao município de Luzerna, nova casa religiosa do frei pelos próximos anos. Neste fim de semana, ele deverá rezar suas primeiras duas missas naquele município. No último fim de semana, ele realizou, em Concórdia, suas últimas celebrações.

A saída do frei foi anunciada ainda no fim do ano passado. É, conforme ele, uma determinação da província de Roma, que coordena a vida religiosa. Há uma ordem de que os freis devem ficar somente até nove anos em uma mesma cidade. Toigo, porém, está em Concórdia há quase 12 anos. Recentemente, fiéis concordienses fizeram um abaixo-assinado na tentativa de assegurar a manutenção do frei no município, mas não obtiveram êxito.

Natural de Jaborá, o frei Luis Toigo tem 61 anos de vida, completados no fim do ano passado, dos quais atua na vida religiosa há 28. Ele está em Concórdia desde 2007, mas já atuou no município em outra época. Ele passou por Concórdia na década de 90, entre os anos de 1993 e 1996.

Em entrevista especial ao jornalismo da emissora, o frei falou da despedida e do que espera para o seu futuro. Também agradeceu aos concordienses pela forma que foi acolhido e que ainda pretende voltar a atuar como frei em Concórdia. Veja os pontos mais importantes:

Ações e atividades

“Eu tentei realizar aquilo que foi possível fazer. Eu tentei, não só tentar estritamente um padre de sacristia, mas um padre que se envolve em problemas sociais, problemas de saúde, a pastoral da saúde, um trabalho maravilhoso por mais de 25 anos. E claro, dentro das outras coisas, o casamento coletivo, os motociclistas [se refere à benção dos motociclistas, que ocorre todos os anos], os gaúchos [fala sobre a missa gaúcha, celebrada nos meses de setembro]”.

“Foi uma forma de tentar se envolver e envolver as pessoas dentro um sentido mais religioso da vida, afinal de contas, a vida é um momento celebrativo sempre. Mesmo quando a gente faz coisas simples. Então, posso dizer que me sinto feliz de ter realizado a missão”.

Saída de Concórdia

“Claro, a gente sente muito ter que sair, depois de tantos anos acostumado, o carinho das pessoas, a gratidão de todas as pessoas que fizeram tanta coisa bonita. Aquele abaixo-assinado, as manifestações. Eu quero dizer muito obrigado por tudo que fizeram por mim. Por outro lado, a gente sente o coração apertado, porque a gente deixa tudo aqui, um trabalho, mas também um pouco da gente. Então, aquele carinho, aquele amor, a gente sente essas pessoas que atendia”.

Luzerna

“Neste final de semana eu tenho celebração lá [em Luzerna], no sábado e no domingo. E no sábado que vem, dia 9, às 19 horas, vou ter a posse lá naquela paróquia, com aquele pároco”.

Desculpas

“O que pesou um pouco foi o problema de saúde que tive com o pai, com a mão, com meu irmão, e isso cansou muito nos últimos tempos. E talvez a gente não tenha conseguido se doar mais e dar mais do que a gente poderia dar”.

“Por isso quer aproveitar para pedir desculpas se algumas pessoas eu, pro acaso, não tratei como deveria ter tratado. Claro que a gente não faz por querer, faz por um momento de cansaço, de estresse. E a gente gostaria de dizer que Concórdia é a minha cidade, cidade do meu coração, sempre vou levar Concórdia comigo”.

Retorno

“Com certeza, eu vou voltar ainda para Concórdia. Sim, claro. Não talvez já, já, mas daqui a alguns anos estou de volta a Concórdia. Eu já disse que quero ser enterrado em Concórdia. Eu saí daqui [o Frei atuou no município na década de 90], fiquei fora, disse que ficaria dez anos fora, fiquei dez anos fora. Saí em 1997 e voltei em 2007. E talvez daqui dez anos, talvez menos, mais, não sei. A vida que vai ensinar a gente”.

“A gente tem que estar aberto. Os caminhos que Deus coloca. Deus escreve certo por linhas tortas. Então a gente precisa tentar entender estes caminhos, compreender. A gente precisa ter fé, senão não dá certo”.

Mágoas

“Não tenho nada assim, coisas normais no dia a dia. Mas nada que tenha machucado, magoado. Acho que tentei realizar e cumprir minha missão. E acho que as pessoas também souberam valorizar isso. Não me lembro de nada que alguém tivesse feito algo comigo. Até porque se alguém tivesse feito, eu teria ido conversar com a pessoa. Não ficar passando”.





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