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Caminhoneiros ameaçam nova greve; movimento pode não chegar à região de Concórdia
Liderança regional acredita que é preciso aguardar e dialogar mais.


Por Luan de Bortoli
Em 19/04/2019 - 08h27 - Atualizada em 20/04/2019 - 11:58


Foto: reprodução

A insatisfação dos caminhoneiros está longe de ter um fim. E este cenário pode favorecer a realização de uma nova greve, a exemplo do que ocorreu em 2015 e 2018. Essa é a ameaça de parte da classe, que não aceita uma série de ações apresentadas pelo governo federal e crítica aumentos no preço do Diesel. Mas há uma outra ala de caminhoneiros que é contrária à paralisações – esta também compartilhada por representantes da região de Concórdia.

Desde o início de 2019 há uma promessa forte de que os caminhoneiros podem se mobilizar e parar. O governo de Jair Bolsonaro vem monitorando as situações. Para evitar o quadro, recentemente, o presidente interveio na Petrobrás e proibiu um reajuste no preço do combustível. Em seguida, precisou voltar atrás. O governo então anunciou algumas medidas – como 2 bilhões para melhorias de estradas – mas que não foram bem recebidas pela classe.

Nesta semana, uma ala, encabeçada Wanderlei Alves, conhecido como Dedéco, um dos líderes dos caminhoneiros no país, chamou o governo de louco. Segundo ele, dez centavos – o reajuste mais recente do diesel – não é pouco para a categoria. Ele exemplifica dizendo que gasta 9.000 mil litros em combustível por mês e, com o aumento de dez centavos, o custo subirá em 900 reais.

A ala mais radical já se articula para uma paralisação de cerca de dez dias que poderia começar no dia 29 de abril. No entanto, para Charles Vivan, uma das lideranças da região, é difícil que uma nova greve ocorra. “A gente não tem nenhuma perspectiva nesse momento se iria trazer algum resultado benéfico para a categoria, então temos nossas lideranças em Brasília conversando com o presidente, apresentando projetos para a melhoria do caminhoneiro autônomo”.

Se, por ventura, um movimento de paralisações ocorrer, a chance é de que ela não chegue a Concórdia. Pelo menos, em um primeiro momento. “Então, por enquanto, na região de Concórdia, a nossa galera da manifestação, não acha adequado efetuar uma greve. Vamos aguardar quem tá promovendo essa greve, se realmente vai existir, e depois vai conversar com a liderança para ver se adere ou não”.

Apesar da frustração, também há boa vontade  por parte dos caminhoneiros em dar mais tempo para o novo governo, afirma Ivar Luiz Schmidt, um dos líderes do Comando Nacional do Transporte (CNT) no Nordeste. A maioria votou em Jair Bolsonaro para presidente, e ainda espera que ele faça alguma coisa pelos motoristas. Mas paciência tem limite, avisam os caminhoneiros nas redes sociais.

Dentro dos grupos de WhatsApp, as medidas dos últimos dias são vistas como resultado da fragilidade da categoria, que não se valoriza. Outra reclamação tem sido latente entre eles: a insatisfação quanto a representatividade da categoria em Brasília. Muitos tentam se articular para conseguir colocar outras lideranças no Planalto e emplacar as reais reivindicações. Wallace Landim, o Chorão, que já não era unanimidade, hoje vive momento de rejeição.

Reajuste do diesel

Após a interferência da semana passada de Jair Bolsonaro na política de preços da Petrobras, que fez a companhia voltar atrás no reajuste divulgado, o presidente da companhia, Roberto Castello Branco, anunciou nesta quarta-feira, 17, aumento de R$ 0,10 no preço do diesel nas refinarias, para, em média, 2,2470 reais o litro. O novo valor já entra em vigor a partir desta quinta-feira, 18. 

O reajuste é de 4,8%, em média, abaixo dos 5,7% que foram anunciados na semana passada e depois cancelados. Naquele dia, o aumento seria de R$ 0,12 –de 2,1432 reais para 2,2662 reais por litro. Segundo Castello Branco, a alta foi menor porque o frete marítimo caiu.

Questionado sobre o reajuste no diesel impactar na decisão dos caminhoneiros de fazer nova greve, Castello Branco afirmou que foi justamente essa preocupação que o fez adiar o ajuste na semana passada. “Todos nós sofremos com a greve dos caminhoneiros no ano passado. Foi com base nisso que sustei o ajuste”, disse.

Entenda o caso

Na quinta-feira, 12, a Petrobras anunciou um reajuste de 5,7% no preço do óleo diesel, mas mudou de ideia horas depois. A alta no preço do combustível seria a maior desde que os presidentes da República, Jair Bolsonaro, e da petroleira, Roberto Castello Branco, assumiram os cargos, e mediante a tensão com os caminhoneiros, Bolsonaro admitiu ter ligado para Castello Branco para conversar sobre o valor. Um dia após o episódio, as ações da Petrobras despencaram e a estatal perdeu 32 bilhões de reais em valor de mercado em apenas um dia.

No mês passado, a Petrobras, a pedido do governo diante de ameaça de greve dos caminhoneiros, estendeu o prazo de reajuste do combustível. A companhia se comprometeu a não fazer reajustes inferiores a 15 dias. Anteriormente, a empresa adotava uma política de mantê-los estáveis por curtos períodos de tempo de até sete dias. 

A Petrobras tem informado que sua política de preços busca a paridade de importação, tendo como referência indicadores internacionais como câmbio e petróleo, em busca de rentabilidade. Eventuais perdas com a manutenção dos preços seriam evitadas com hedge.



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