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Agricultura

Suinocultura vive boa fase com aumento nas exportações

Presidente da ACCS espera um período de recuperação e lucro na atividade.

Por Luan de Bortoli
23/04/2019 às 06h50 | Atualizada em 23/04/2019 - 07h44

Mesmo que ainda longe do ideal, os produtores de suínos vivem um ano que pode ser considerado positivo para o setor. Projeções apontam que haverá um aumento considerável na exportação do produto do Brasil para o exterior, o que representará ganhos importantes para o país – cerca de 1 milhão de toneladas da carne. Além disso, o mercado catarinense passou a melhorar a remuneração para o produtor, fixando o valor pago em R$ 3,30, conforme a cotação desta segunda-feira, dia 22.

O presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivânio de Lorenzi, concedeu entrevista especial ao jornalismo das rádios Rural e 96, onde destacou que 2019 deverá ser um ano de resultados superiores àqueles alcançados nos anos anteriores. O setor também vive expectativa da criação da Frente Parlamentar da Suinocultura na Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

Veja abaixo trechos da entrevista

Aumento da exportação

“Há projeções boas, realmente. Estamos, cada vez mais, com Santa Catarina exportando. Para se ter uma ideia, o Brasil exportou 135 mil toneladas de carne suína de janeiro a março. E no ano passado, foram 132. E desse 135 mil, 75 foram de SC, que está respondendo a quase 60% das exportações. E isso mostra que a sanidade está fazendo a diferença. A exportação catarinense está em primeiro lugar para a China, que está com peste grave de peste suína africana. Depois, Chile e Hong Kong”.

“A gente acredita muito que teremos bons mercados de exportações, mas desde que mantivermos a nossa sanidade do rebanho. E a questão do dólar, além de ter aumentado o valor do dólar e também do valor em dólar por tonelada com essa procura que teve pelo mercado eterno pela nossa carne suína”.

Novos mercados e manutenção dos atuais

“Nós temos projeção de aumentar volumes para estes mercados já existentes. Com relação a nossa sanidade, que é único livre da febre aftosa sem vacinação, já estamos exportando para os mais exigentes, como Estados Unidos e Japão. E o Japão está vindo com muita fome de carne suína. Só que precisamos mudar um pouco daquilo que foi feito nos últimos anos, de tirar toda a gordura da carne. Hoje, a carne suína é a mais magra que tem, mesmo do peixe. E precisamos que se coloque gordura entre as nervuras da carne, considerando aquilo que o povo asiático quer”.

“Manter os mercados, a gente já se consolidou nisso. Salvo alguma questão sanitária que não deve ocorrer, a gente vai conseguir manter estes mercados, e aumentar o volume existente. Porque, como a gente vê também a África do Sul, as Filipinas, com volumes muito baixos, e começaram a aumentar os volumes. Novos mercados é difícil, porque para os maiores já estamos exportando. Mas oque a gente vê, realmente, é aumentar o volume para este mercado já existente, porque já conhecem a carne”.

Mercado interno

“Tem melhorado muito. Em 2017 e 2018 foram feitas várias campanhas. A própria mídia deu uma forte ênfase quando começou a conhecer que o porco não era mais criado solto e o porco tinha se transformado num suíno da forma que vem sendo trabalhado. Agora, também, com todas as questões do bem-estar animal traz uma confiança para a qualidade da carne, e isso tem melhorado um pouco o consumo”.

“E eu acredito que, para os próximos anos, o mercado interno será fundamental para absorver o crescimento que está tendo em nossa atividade. Acredita-se que neste ano aumente um pouco, vinhamos num volume de 15 kg per capita no Brasil, e devemos aumentar em torno de 300 gramas, que é um número considerável. Enquanto que em Santa Catarina, o consumo é 32 kg per capita, mas se analisarmos a região produtora, que conhece a carne, nós devemos consumir em torno de 40 kg na região oeste de SC”.

ICMS fixo de 6% 

“É muito importante, pois nós vinhamos há muito tempo negociando decretos que fariam em tempos de crise o ICMS em 6%. E agora então com essa questão da lei traz tranquilidade maior para os produtores que comercializam suíno para fora do estado, porque é muito impactante quando se vê 12% num animal que sai do estado, considerando R$ 350, que foi a média de comercialização, a gente pagava R$ 42 para o governo, enquanto que agora só estaremos pagando R$ 21. Porque, para se ter ideia, ano passado o produtor teve prejuízo na atividade e mesmo assim teve que pagar 21 reais a mais para o governo”.

Preço pago ao produtor

“É importante, porque nós vínhamos em uma defasagem muito grande. A gente vinha comercializando o suíno em até R$ 2,90. Teve períodos do ano passado que foi comercializado em um custo de R$ 3,70. Chegou num custo de R$ 4,06 pela Embrapa, então uma perda muito grande, teve gente que desistiu da atividade pelo alto custo na produção. Então este aumento, que hoje está em R$ 3,40 para leitões de oito a 22 kg, e R$ 3,30 no suíno terminado mais carcaça, e quando a gente olha para o mercado independente, está em torno de R$ 3,90. Mas o custo ainda gira em torno de R$ 3,75, então uma pequena margem de lucro que o produtor tem, mas ainda um passivo grande para ser trabalhado, que foram as crises de 2016, 2017 e 2018, onde foram renegociadas as dívidas”.

“É preciso que este momento se prolongue. Acreditamos que teremos aí uns dois anos de lucro na atividade, porque além do preço alto, que está subindo, nós também temos queda no custo de produção, porque teremos safra recorde de grãos também”.

Frente Parlamentar da Suinocultura

“Nós buscamos isso porque sabemos da importância que tem uma frente parlamentar como esta, a gente já criou ela em momentos de crise. Vários estados fizeram isso depois. E eu vejo que é fundamental trabalhar a suinocultura como um todo. Ela tem a participação das agroindústrias, através do Sindicarne, da Fecoagro, da OCESC, Faesc, então a gente junta todos os setores para trabalhar a viabilidade da suinocultura. E nada melhor do que a assembleia legislativa conhecer a forma como isso precisa ser feito. E tivemos a adesão dos 40 deputados. E eles disseram que vão trabalhar pelo suíno cultura pois entendem a importância dela”.





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