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Liderança regional dos caminhoneiros acredita que greve não está descartada

Nesta segunda, governo e caminhoneiros anunciaram acordo para suspender ameaça de paralisação.

Por Luan de Bortoli
24/04/2019 às 06h44 | Atualizada em 24/04/2019 - 08h14

Uma reunião de algumas horas entre representantes de caminhoneiros e o governo federal alinhou um acordo entre as duas partes e evitou que uma greve se iniciasse na próxima semana. Mas a hipótese não está totalmente descartada segundo representantes da classe. Participaram do encontro, que durou quatro horas, dirigentes das 11 principais centrais sindicais de caminhoneiros autônomos. 

Na reunião de segunda-feira, dia 22, ficou definido que o custo do diesel será transferido para a tabela do frete e ainda a estudar a possibilidade de "eliminar multas desnecessárias aos caminhoneiros". A tabela de fretes foi criada no ano passado pelo governo Michel Temer, após a greve dos caminhoneiros que bloqueou estradas e comprometeu o abastecimento de combustível, de medicamentos e de alimentos em todo o Brasil. 

Charles Vivan, liderança regional da classe, avalia o acordo de forma positiva. “Desde o início do mandato desse novo governo, a gente tem tido boa conversa com eles. Esse repasse do custo do diesel para a tabela de frete é uma coisa muito boa. A partir do momento que existir a fiscalização, a gente vai conseguir trabalhar um pouco melhor. Existem algumas empresas que estão repassando a tabela mínima. Mas infelizmente, o agronegócio não está. Por isso a gente está fazendo a cobrança”.

Grupos de caminhoneiros têm dito que o governo tem dificultado conversas com a classe. Mas, para Vivan, são alas com diferentes formas de pensar. “São várias lideranças. Porque o governo só recebe político e sindicalista para esta conversa. Cada um tem, de certa forma, uma ideia. Todos querem ajudar os caminhoneiros. Algumas lideranças acham que a conversa não é tão boa quanto se espera”, explicou.

O caminhoneiro ainda destaca que o acordo, no entanto, não impede que o assunto greve volte no futuro. “Acho que o assunto greve nunca é descartado, até mesmo porque é uma forma de pressionar o governo para atingir alguns objetivos. Só que nós estamos cobrando desde a instalação da tabela uma fiscalização, porque muitas empresas que tinham medo de ser multada estavam pagando a tabela mínima. Porém, como viram que o governo Michel Temer acabou não tendo essa cobrança, deixou de pagar. Então, acredito que, se nos próximos meses não houver uma fiscalização, o assunto deve surgir sim”.

Veja abaixo os quatro pontos que foram acordados entre os caminhoneiros e o ministério da Infraestrutura: 

1) Estudar a eliminação de “multas desnecessárias” a caminhoneiros que fizerem denúncias de descumprimento da tabela do frete.

2) Reajustar a tabela do frete de acordo com as mudanças do preço do diesel.

3) Promover uma "fiscalização efetiva" do piso mínimo do preço do frete. 

4) Foi assinado com as entidades representantes da categoria termo de compromisso para tornar "mais efetiva a fiscalização"

A reunião foi mais um aceno do governo do presidente Jair Bolsonaro para conter a insatisfação dos caminhoneiros pouco antes de completar um ano da greve de maio de 2018. 

No último dia 11, a Petrobras anunciou reajuste de 5,74% no preço do óleo diesel. No mesmo dia, o presidente Jair Bolsonaro mandou a empresa suspender o reajuste até que ele tivesse uma reunião com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, e com os ministros da equipe econômica.

A reunião aconteceu no dia 16. Após o encontro, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmaram que o valor do reajuste e o momento do anúncio cabem à Petrobras. No dia 17, a empresa anunciou aumento de R$ 0,10 por litro no diesel.





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