Rádio Rural AM 840

NOTÍCIAS


Educação

Direção do IFC comemora liberação de recursos, mas lamenta perdas "intelectuais"

Verba para o próximo ano será menor do que a necessária.

Por Luan de Bortoli
28/10/2019 às 06h38 | Atualizada em 29/10/2019 - 07h19


O Ministério da Economia anunciou, há uma semana, que liberou todo o orçamento das universidades e institutos federais bloqueados neste ano. Os valores liberados somam R$ 1,1 bilhão e virão de remanejamentos internos do MEC e devem garantir a execução integral dos recursos discricionários (que não incluem salários) de custeio das instituições. O bloqueio de recursos foi anunciado no início deste ano.

A medida, que gerou revolta e manifestações no país, atingiu também o Instituto Federal Catarinense (IFC) de Concórdia. A unidade pública de ensino teve contingenciados cerca de R$ 2,3 milhões. Portanto, dos cerca de R$ 7,5 milhões de verba total para o ano de 2019, restaram aproximadamente R$ 5 milhões para uso de todas as atividades realizadas no município.

Agora, com o anúncio da liberação dos recursos, vem um certo alento, conforme frisa o diretor da unidade de Concórdia, Nelson Golinski. Em entrevista à reportagem da emissora, ele explicou que a medida vai permitir que a instituição atue com tranquilidade em 2020, algo que não estava garantido até então.

O bloqueio, no entanto, gerou uma série de prejuízo à instituição e alunos. "Nós tivemos um ano bem atípico, bem pesado. Agora, com a liberação que a gente começa a repor os estoques para o início do ano letivo 2020. Mas esse contingenciamento, ele deixou fortes feridas, como por exemplo, não fizemos viagens de estudo, técnicas. Várias pesquisas não puderam ser realizadas, tivemos que economizar além do que podíamos na parte de energia elétrica, reagente para laboratório, equipamentos que iam estragando e ficaram encostados”.

Na entrevista, Golinski lamenta, além de tudo, o prejuízo intelectual, ou seja, ao processo de aprendizagem dos alunos. “Muita, muita [perda intelectual]. Essa foi a principal. Todas as viagens de estudos foram canceladas. Todas as capacitações de professores, elas não ocorreram. Estas foram as maiores perdas que eu considero e não tem mais volta”.

Momento de recuperação

Agora, a equipe do IFC começa a “correr atrás do prejuízo”, como explica Golinski. “A gente está repondo estoques como insumos da alimentação humana, para fazenda, reagentes para laboratórios, medicamentos, recuperação do material estragado. É uma loucura essa correria, porque temos até o dia 16 de novembro para realizar todos os empenhos. Caso isso não aconteça, o dinheiro será recolhido. Tem nos dados dor de cabeça”.

Além dessas ações, que são as prioridades, a direção já pensa em utilizar o dinheiro que sobrar para reforma estrutural. "Se tiver dinheiro sobrando, nós vamos para a recuperação predial, toda essa parte estrutural, que passamos o ano sem manutenção. São pinturas, correção de laboratórios, salas de aula. E vamos fazer a recuperação dos equipamentos", comenta o diretor.

Apesar de assegurado, o ano letivo de 2020 ainda não conta com o orçamento necessário. "Uma coisa que estamos garantindo já, com o orçamento deste ano para o ano que vem, até fevereiro estamos empenhando os serviços dos terceirizados e também energia elétrica e todos os insumos necessários. E para o ano que vem, estivemos reunidos em Rio do Sul, com todos os diretores, o orçamento é o mesmo, não muda, é o mesmo deste ano, mas já começa 40% contingenciado. Teremos novamente de ter um jogo de cintura para acabar bem o ano".

Troca de direção

O ano de 2020 marca também a troca de direção. Foi eleito como novo diretor Rudinei Kock Exterckoter, que entra no lugar de Golinski. E o processo de transição já iniciou. "Já estamos trabalhando juntos com o gestor que vai assumir, para que a gente faça um trabalho que tenha continuidade. Já começou entre a direção essa parte de sucessão. Já estamos trabalhando para que a gente pense primeiro no IFC Concórdia. Mas está garantido tudo certo para o ano que vem e que nava prejudique o processo de ensino-aprendizagem".





SEJA O PRIMEIRO A COMENTAR




VEJA TAMBÉM