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Caminhoneiros

Paralisação dos caminhoneiros deve iniciar na segunda, mas com menor adesão

Há divisão de interesse, com grupos favoráveis e outros contrários.

Por Luan de Bortoli
13/12/2019 às 06h33


A possibilidade de uma nova paralisação dos caminhoneiros voltou a ser sondada através das redes sociais e em grupos de WhatsApp na semana passada. Desde então, os representantes autônomos da classe têm dito que neste fim de semana, mas especialmente na virada de domingo para segunda-feira, dia 16, uma mobilização irá iniciar no país.

Lideranças de diferentes locais do país dizem que a ideia de paralisação tem crescido entre os caminhoneiros autônomos, mas outros representantes da categoria afirmam que a proposta não está tão difundida, com diminuição na adesão. A confederação de sindicatos não fala em paralisação. O governo diz que não vê motivo para alerta.

Marconi França, uma das lideranças nacionais em prol da mobilização, diz que não consegue estimar o alcance da possível paralisação, mas afirmou que o movimento "tem crescido" e que uma parcela significativa de caminhoneiros autônomos deverá aderir. França disse esperar que a greve tome as proporções de 2018, mas afirmou que a classe está dividida e que há muitos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro que não deverão participar.

A CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos) afirmou que, até agora, "desconhece, dentro da sua base coligada, qualquer movimentação para uma greve".O governo federal disse que está monitorando a situação e não vê uma articulação tão forte entre os caminhoneiros como no ano passado. Para o Ministério da Infraestrutura, se ocorrer, o movimento deverá ser reduzido.

Desmobilização

Um fator que tem sido visto como motivador para diminuir o volume de participantes no movimento é o apoio da Central Única de Trabalhadores (CUT). Representantes dos motoristas dizem que, em redes sociais e grupos de WhatsApp, a aproximação com a entidade, de esquerda, gera críticas e resistência entre lideranças e motoristas.

“Não tem adesão. Tem movimento político por trás querendo usar a categoria como massa de manobra”, criticou Wallace Landim, conhecido como Chorão. Na esteira do anúncio da paralisação, feito por um dos representantes da categoria, Marconi França, Chorão já tinha pregado “responsabilidade e seriedade” e apontado que “muita gente no movimento [defendido por França] é envolvido com política, envolvido com esquerda“.

Ele próprio gravou um vídeo com representantes de cooperativas, associações e sindicatos da categoria em Santos (SP). Membro do Fórum Permanente para o Transporte Rodoviário de Carga (Fórum TRC) e da Associação Brasileira dos Concessionários (Acav), Marcelo dos Santos diz que o grupo “não faz politicagem”.

Apesar da resistência em alguns grupos, a categoria está dividida e a paralisação não está totalmente desamparada: em vídeo, o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logísticas (CNTTL), Paulo Estausia, classificou a pauta do movimento como “legítima” e refutou a tese de orientação política. Ele também aposta que o movimento deve ganhar força gradativamente.

Entre as reivindicações que serão cobradas no movimento, os caminhoneiros citam a implantação geral do Código Identificador da Operação de Transportes (Ciot), o cálculo piso mínimo do frete  e também o preço do diesel. “Ninguém aguenta trabalhar com esse valor de combustível.”





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