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Dengue em Concórdia: equipes são ampliadas mas ainda há resistência por parte da população

"Se tiver a circulação do vírus, a situação vai ficar muito grave”, diz secretário.

Por Luan de Bortoli
20/01/2020 às 12h30 | Atualizada em 20/01/2020 - 13h33


Esta semana começou do jeito que a última terminou no que diz respeito aos focos do mosquito da dengue: sem novos registros. Concórdia segue com os mesmos 119 focos da última sexta-feira, dia 17. Mas a preocupação segue aumentando. A previsão é que novos registros sejam feitos nesta semana, confirmando a tendência de alta que vem ocorrendo neste início de ano.

A preocupação é cada vez maior por conta do risco iminente da chegada da doença em Concórdia. O município ainda não tem registros das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Mas a equipe de saúde de Concórdia, que está focada em evitar a proliferação do inseto, é categórica em dizer que o risco da dengue chegar à cidade, ou até mesmo das outras doenças, é grande.

Na manhã desta segunda-feira, dia 20, a equipe esteve no estúdio da emissora para alertar sobre o problema passar orientações para o dia a dia da população. Estivem presentes o secretário de saúde de Concórdia, Sidnei Schmidt, o biólogo da regional da saúde, Felipe Gimenez, e o responsável pelo laboratório de entomologia, Neri Zaferrari. 

A preocupação com a proliferação dos focos do mosquito que transmite, além da dengue, a chikungunya e a zika, é tamanha que as equipes de saúde voltadas para este acompanhamento foram ampliadas. “O que tem de diferente deste ano são as equipes. Teve a ampliação de equipes, nunca se trabalhou tanto como agora. Não se parou durante o recesso, para terem ideia, dia 2 de janeiro já tintinha foco sendo identificado”, diz Gimenez.

“Encontrar o foco em si não é um sinal ruim. A gente tá se precavendo de uma futura epidemia. Então o dado de 119 focos é o reflexo de um bom trabalho. Mas o que a gente vai fazer em decorrência desta descoberta é que fará a diferença”, completa Gimenez.

A secretaria de saúde está ainda mais preocupada com a problemática da dengue em Concórdia, como é o caso da ampliação de equipe. Mas há uma resistência da população. “Nosso objetivo é fazer esse preventivo de focos, que é com base nisso que a gente monta os planos de ação. O que a gente percebe é a dificuldade que a população acaba colocando. Os agentes vão lá para a casa e acabam nem conseguindo adentrar, isso acaba dificultando o trabalho”, comenta Schmidt.

O biólogo da regional destaca, neste sentido, que a população, às vezes, não tem colaborado com as equipes de saúde. “Informações sobre prevenção de todas as doenças transmitidas já é de conhecimento de todos há tempos. Mas a gente encontra pessoas que insistem em colocar pratinho embaixo do vaso, em deixar a cisterna aberta. E essa explosão de focos se dá por isso, a falta de consideração da população”.

Neri Zaferrari explica como o mosquito encontra facilidade para se proliferar tão rapidamente. “Como esse mosquito passou por uma adaptação no ambiente urbano, ele tem o ciclo imaturo dele, que vai de cinco a sete dias, da fase de ovo até adulto, ele se adaptou a essa condição dos produtos descartáveis, ele consegue se reproduzir em ambientes com pouca água. Então, como existe muito produto jogado nestes terrenos baldios e até nas propriedades, ele encontra facilidade”.

Ele ainda ressaltou que não se sabe porque o município teve essa explosão de focos em relação a outras cidades maiores. Até semana passada, pelo menos, Concórdia era líder estadual no número de focos, o que causou surpresa. “Precisamos considerar que temos uma realidade de relevo onde temos microclimas em espaço curto de distância. Tudo isso precisa ser levado em consideração, o calor, disponibilidade de água”.

O secretário de saúde reforça a necessidade de conscientização da população, pois a possibilidade de a doença chegar a Concórdia é real. “As pessoas têm que tomar ciência que existe risco, sim. Igual o sarampo, que a gente imaginava que não ia chegar ao município, e chegou. E nossa preocupação é que o mosquito está em toda a cidade, são 11 bairros infestados. E se a gente tiver a circulação do vírus, a situação vai ficar muito grave”.





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