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Estiagem: Concórdia poderá decretar situação de emergência na segunda-feira

Pouca chuva até agora e previsão de tempo seco deixam o município em alerta.

Por Luan de Bortoli
13/03/2020 às 06h30 | Atualizada em 13/03/2020 - 20h06


No fim do mês, Concórdia completa três meses de um dos maiores períodos de estiagem que o município já viveu. O indicativo a médio prazo não é nada bom. Não há muita chuva prevista, e para que o problema seja resolvido, é necessário que muita chuva chegue ao município, em um período longo. Ou seja, a tendência é que o quadro permaneça por diversas semanas.

Na reportagem especial de hoje sobre a estiagem em Concórdia, o jornalismo da emissora conversou com o secretário de agricultura, Mauro Martini, e membro da Defesa Civil, Miro Toldo, que estão ligados diretamente ao acompanhamento e da seca. E eles informaram que um decreto de situação de emergência não está descartado.

Miro Toldo, da Defesa Civil, explica na próxima segunda-feira, dia 16, a prefeitura, a Defesa Civil e outras entidades concordienses irão se reunir para debater o assunto. “Na segunda vamos ter reunião com entidades e agroindústria, se vamos decretar emergência, para buscar outras ações e ver o que pode ser feito para resolver este problema”.

“Tivemos chuva somente no dia 26 [de fevereiro], e após esse período não choveu mais. Hoje estamos atendendo 59 propriedades. Ontem foram entregues 23 cargas de água, entre 10 e 12 mil litros. Pega região de Planalto, Cahcimbo, Santo Antônio, Linha São Paulo. Acreditamos que hoje novamente vai ter um aumento grande. Já tínhamos 18 cargas agendadas, de gente que não tinha mais uma gota de água para consumo humano e animal”, explica ele.

Conforme o relatório de estiagem da Epagri/Ciram, emitido na manhã desta quinta-feira, dia 12, Concórdia segue com três pontos de rios com nível abaixo do normal. De acordo com o órgão estadual, a rua Vitório Celant, no centro, está classificada como alerta, enquanto que a Foz do Rio Claudino, na Rua Osvaldo Zandavalli, e o Montante da Barragem, em São Cirstóvão, em emergência.

A falta de chuva tem afetado fortemente a agricultura de Concórdia. Um produtor de Cachimbo contou à reportagem, nesta semana, que está reduzindo o plantel. O número já caiu cerca de 20% e pode diminuir ainda mais. Já outro agricultor, de Linha Pinhal, disse que perdeu cerca de 50% da lavoura de pastagens, o que tem afetado também a qualidade do leite produzido, pois atinge alimentação dos animais.

A prefeitura de Concórdia segue realizando o transporte de água para diversas comunidades do interior. Atualmente, a média de viagens feitas é de cerca de dez por dia. Com isso, diariamente, são transportados cerca de 200 mil litros. São tantos pedidos por parte de produtores, que alguns transportes chegam a atrasar pois acaba havendo um trabalho acumulado.

O secretário de agricultura, Mauro Martini, explicou que o meio rural enfrenta dificuldade maior do que a região urbana. “Se formos fazer uma análise geral, estamos sem chover normalmente desde dezembro. Qualquer tipo de cultura tem necessidade de água, mas Concórdia, por ser uma das maiores bacias leiteiras, tem aves, temos problemas de dessedentação para animais. E também no milho, que não teve aquela qualidade necessária. A alimentação dos animais também não é adequada. Temos perda significativa no leite, vamos sofrer o aumento do leite”.

“Embora se decrete emergência, o problema não será resolvido, porque o que resolve é a chuva. Mas o município vinha se precavendo. Estamos com 3 caminhões. A prefeitura já vinha se preparando. A intenção, na segunda, é trazer entidades pra ver o que a gente pode fazer. E o nosso produtor e as agroindústrias, também precisam se preocupar. Mas o município, se formos analisar, temos dois mil produtores de bovinos, não vamos conseguir transportar essa quantidade. Na segunda, vai se tentar ver qual a melhor solução”, comenta Martini.

Diante de toda esta situação, o secretário destaca que os prejuízos são inevitáveis. “Qualquer atividade, mesmo só o calor, afeta, baixa a produção de leite. O investimento para um aviário é maior, suinocultora também precisa resfriar ambiente e você gasta mais em comida. E em lavouras, segundo as informações deles, a gente tá perdendo em torno de 30 a 35%. e o leite vai nessa linha. Então, sempre se tem prejuízo”.

Miro Toldo ressalta que a população precisa ter cuidados. “Evitar lavar calçadas, molhar rua, a gente sabe que rua não pavimentada, o pó incomoda. Mas hoje a gente tá dando atenção pra não morrer criação, para esse pessoal do interior. A gente pede que o povo tenha um pouco de paciência. Estamos lutando para amenizar o máximo possível”.

E a previsão não é nada otimista. A Epagri repassou para a Defesa Civil de Concórdia que na próxima semana deve haver chuva, mas a quantidade é bem baixa. Precipitação de relevância, que possa influenciar e resolver o problema da seca, deverá demorar muito mais. Segundo Miro, essa chuva somente deverá chegar a Concórdia no fim de abril.

Como a reportagem da emissora informou nesta semana, dentro desta série especial, Concórdia tem um dos inícios de ano mais secos da década. Entre janeiro e fevereiro, choveu apenas 289 milímetros, 30% abaixo da média dos últimos dez anos. Outro dado apresentado é que em março, em 12 dias, não houve registro de chuva, fato inédito na última década.





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