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Coronavírus

HSF está se preparando para pandemia do coronavírus e pede conscientização à população

Unidade hospitalar espera ajuda do governo, mas está bem estruturada até o momento.

Por Luan de Bortoli
31/03/2020 às 10h41 | Atualizada em 01/04/2020 - 11h31


Uma das principais preocupações em relação à pandemia do coronavírus é quanto à preparação dos hospitais para enfrentar o problema. A dúvida é se as unidades hospitalares irão comportar o grande número de pacientes que poderá ser acometido pela doença. As equipes de saúde de Concórdia, bem como o Hospital São Francisco, estão se preparando há algumas semanas.

A unidade hospitalar já realizou alguns incrementos e alterações em sua estrutura para que fique preparada caso haja necessidade de internações em massa. Houve destinação especial e aumento de leitos tanto na ala clínica quanto na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Conforme o diretor-geral do Hospital São Francisco, Claudemir Andrighi, são 14 leitos em UTI somente para pacientes que contraírem coronavírus.

“Temos nove leitos de UTI adulto ativos. Estendemos mais cinco leitos, podendo estender para sete. Obviamente isso é bom, mas entendemos que se houver um índice de internação em massa, pode encher em uma semana. Um paciente fica três semanas internado. Estamos fazendo de tudo para que nossa estrutura atenda a toda necessidade. Destinamos praticamente uma ala inteira para pacientes clínicos com Covid. Vai atender? Não sei. Vamos avaliar o momento. O índice de ocupação do hospital diminuiu por conta de cancelamentos, como cirurgias eletivas. Estamos com 50% de ocupação no hospital”

Conforme o diretor-geral do hospital, a adequação não foi somente em leitos e UTI, mas também no recebimento de pacientes e na obtenção de tecnologias para preparar a unidade. Andrighi também ressaltou que as equipes de saúde têm passado por treinamento desde o ano passado, mas reconhece que os hospitais do país não estão prontos para encarar totalmente esta pandemia.

“Nenhum hospital do Brasil, hoje, exceto alguns, está totalmente preparado para uma pandemia dessa envergadura. Estamos tomando todas as precauções. Estamos cientes de que vai acontecer em algum momento. Fizemos bastante alterações, desde linha de chegada, entradas de urgência e emergência, com diferenciação de patologias. Mas internamente também adequamos leitos. Vai ser suficiente? Não sabemos, em virtude que não temos dimensão dessa pandemia em Concórdia. Já começamos desde dezembro a preparar equipes com treinamentos. Tínhamos esperança que não viria para o Brasil, mas foi inevitável. Toda estrutura humana e alguma de tecnologia, estamos preparados, mas ainda é o mínimo.

UTI e equipe médica

Conforme o coordenador da UTI adulto Dr. Fernando Guedes, o hospital tem uma equipe de profissionais bastante experiente. “Nossa equipe da UTI conta com médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, que já tem certa bagagem. A gente tá preparado. É o tipo de situação que não é nova. Procuramos organizar equipe, nossos recursos humanos, nosso recursos materiais. Então, claro, a gente teme pelo tamanho que possa ser, mas aqueles que precisarem de ajuda, a gente tá preparado. A gente pode garantir o máximo de esforço e dedicação”.

“Em princípio temos os respiradores da UTI, que são nove, temos 11 ventiladores. O total de ventiladores são 15, esses ventiladores são muito bons, é um número bom. A gente não sabe se vai ser suficiente, mas é bom. A gente não pode esquecer que as outras doenças continuam. A nossa ideia é usar a UTI atual principalmente para pacientes do Covid e procurar separar um pouco os pacientes que não tem Covid para a parte de cima”, explica Guedes.

O diretor técnico do Hospital, dr. Juliano Copetti, explica que há falta de equipamentos no mercado, mas a unidade vem se precavendo.  “É um assunto importante, principalmente devido à falta de equipamentos de proteção individual (EPIs). A gente vem se preparando há bastante tempo, treinamento, fizemos um protocolo voltado à Covid, e o hospital também veio se preparando e adquirindo os equipamentos de proteção. Mas se for um grande número de pacientes acometidos, vai ser um problema. Por isso a gente vem comprando ao longo do tempo o máximo que a gente consegue para afastar essa problemática”.

A grande preocupação é que a falta destes EPIs possa infectar as equipes de saúde. “Principalmente porque se o Covid afetar nossos profissionais, aí nós teremos um problema muito sério, porque vão ter que ser afastados. Então, nosso anseio por conseguir os testes rápidos para testar esses profissionais é muito grande. Mas o governo está tendo dificuldades. A gente tem que lembrar às pessoas para que elas vão ao hospital com máscara. Isso ajuda, porque ajuda a evitar o contágio de pessoas que são assintomáticas e não sabem que tem o coronavírus”, diz Copetti.

Sobre este assunto, o diretor-geral disse que a unidade hospitalar ainda não recebeu apoio do governo. “O governo do estado vem se movimentando diariamente em cima dessa situação. Obviamente não recebemos nenhum equipamento hospitalar, nenhum tipo de material. O que se andou até o momento foram as portarias aprovadas. Tá mais na parte de decretos. Parte de equipamentos, EPIs, recursos humanos, essa linha anda não chegou, e não sei se chegou a algum lugar do estado. Mas entendemos que em alguns dias vão ocorrer. Nos foi pedido a relação de respiradores que necessitaria, também a quantidade de leitos a mais para disponibilizar. Sabemos que não existe mais equipamento no mercado interno nacional, porque o próprio ministério loteou as fábricas. Estamos buscando equipamentos importados”.

Há um protocolo de atendimento aos suspeitos da doença como explica o Dr Fernando Guedes. “Existem situações que são previstas para o paciente procurar o atendimento médico. O último informativo que a gente tem da sociedade brasileira de infectologia é que aquele paciente que tenha febre no período maior de 24 horas, e também o quadro de falta de ar, que tem que fazer força para respirar, e tosse persistente [deve procurar]. Chega lá, é avaliado, feito exame clínico. Muitas vezes é solicitado um exame de imagem, aí é triado se vai para internação. Dependendo do estado desse paciente, se há alterações, aí é solicitado o leito na UTI. A partir do momento que chega na UTI, já com exame de imagem, a gente inicia o tratamento. Muitas vezes a gente precisa entubar”.

Quarentena 

Uma das dúvidas da população é quando à quarentena e isolamentos sociais. O dr Juliano Copetti afirmou que esta é a melhor medida a ser tomada. “A quarentena precoce está correta. Não adianta tomar a medida de quarentena quando a gente já tem casos, que é o que aconteceu na Itália e na Espanha. Na Itália o pessoal não levou a sério, só começou a levar a sério quando começou a morrer muita gente. E quanto puder estender ela, melhor. E a gente vai ter uma curva mais achatada, e vamos poder receber nossos pacientes de forma mais adequada. Senão o número de mortes será elevado”.

Ele ressalta ainda que, antes de tudo, é necessário que a própria população se conscientize deste problema. “Acho que a população tem que ficar calma. Mas tem que ter em mente que todos estamos no mesmo barco. Estamos com os motores funcionando, equipamentos preparados. Mas o mais importante é que cada um deve fazer o seu papel. Assim vamos escolher se vamos escolher ondas grandes, ventanias ou um caminho calmo”.





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