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Concórdia

Racismo: Niara lança Carta Manifesto

Morte nos EUA desencadeou manifestações no mundo.

Por Marcos Feijó
03/06/2020 às 16h15 | Atualizada em 04/06/2020 - 07h41


Protestos e manifestações contra o racismo ganharam o mundo com a morte de Georde Floyd cometida por uma ação policial em Mineápolis nos Estados Unidos.  O tamanho do impacto, do reflexo, dos protestos, que já duram 9 dias, reascende também outros fatos e não somente o norteamericano. A ONG Niara, de Concórdia, na tarde da quarta-feira(03), lançou a seguinte Carta Manifesto:

"Neste momento que passamos por incertezas e conflitos, faz-se importante lembrar que, no território brasileiro, a prática da escravização persistiu a existir por
mais de 350 anos, porém mesmo após a abolição da escravidão, a prática de direitos da população africana e afrodescendente demorou para ser colocada em
prática. Assim, nos dias de hoje percebe-se que ainda não temos nossos direitos reconhecidos e valorizados.

O estudo étnico-racial no Brasil está enraizado no sistema escravista no período colonial. Não podemos apagar uma longa história de escravidão, mas podemos reconhecer as leis, perpetuar o respeito as diferenças de cor e compreender que é necessário realizar uma reflexão sobre a importância de estudos culturais.
O racismo se materializa neste processo, onde as pessoas sofrem e/ou sofreram opressões e explorações, este racismo se apresenta muitas vezes velado e
mascarado, mas que machuca e mata por dentro e por fora. Trata-se de uma luta diária contra as desigualdades raciais entre negros e brancos, mas, essa luta só terá condições de ser vencida, se for de todos e todas que desejam a igualdade acima da dominação de uns para com os outros.

Neste sentido, a NIARA e os negros que habitam Concórdia precisam sim, entender a sua contextualização. Em não o fazendo, estarão fadados à história num
processo de ostracismo, opressão e dor. Racismo sempre foi uma manifestação da sociedade brasileira e mesmo ante a ocorrência de crime, muito se tem visto de práticas racistas. Pode-se questionar a razão de tudo isso. E a resposta está evidente: a conivência do Estado e de suas estruturas instituídas para absorver, omitir e calar toda a prática racista que possa haver.

Em não havendo essa nova leitura, de reescrever a história sob a ótica do oprimido, restará, a perpetuação da história escrita pelos brancos. Tal qual Princesa
Izabel, 13 de maio e outras incursões na trajetória do país que, infelizmente soam como verdade. Racismo é também atuar de forma omissa permitindo a propagação de conceitos distorcidos e irreais.

O que se tem verificado em pleno 2020 está beirando ao comportamento típico da idade média, quando se verificavam atos de preconceito, de toda ordem. Retrocessos e agressões não somente contra negros, mas contra homssexuais, mulheres, indígenas, e moradores de rua. E tal retrocesso se institucionaliza quando o Poder claramente incentiva tais práticas, seja pela omissão ou mesmo pelo estímulo. Em tempo, as manifestações de cunho nazifascista, sem qualquer
ação por parte das forças constituídas (apologia ao nazismo é crime, pela constituição federal), mostra claramente o cenário de barbárie que se pretende.

Calar ante esse espetáculo de horrores e violação ao mais elementar dos direitos, que é o direito à vida significa sim, navegar na sociedade do absurdo."





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