Rádio Rural AM 840

NOTÍCIAS


Coronavírus

Com quase 100 mil casos, SC ainda não atingiu o pico da pandemia

Curva deve seguir acelerada até setembro, dizem especialistas.

Por Luan de Bortoli
07/08/2020 às 08h32 | Atualizada em 07/08/2020 - 08h44


Ao se aproximar dos 100 mil casos de coronavírus, Santa Catarina vive neste início de mês o período de maior aceleração da doença, o que torna a curva do contágio ainda maior. Do último domingo (2), até essa quinta-feira (6), uma média de 2,3 mil casos foi divulgada por dia pelo governo estadual. Significa que, somente nos últimos cinco dias, 11,7 mil pessoas tiveram os diagnósticos confirmados para o vírus no Estado. E a tendência, segundo especialistas, não é de estabilidade.

Segundo o geógrafo, Eduardo Werneck Ribeiro, professor do Instituto Federal Catarinense e integrante da Rede Nacional de Geógrafos para Saúde, ainda não é possível prever em que momento o Estado vai chegar ao pico da doença e, consequentemente, ao platô – fase em que os números estabilizam no alto e antecede a queda. No entanto, segundo o especialista, há uma certeza: a curva fica cada vez mais inclinada.

- Não vai acabar nem em setembro, o que nos parece que está se desenhando. (A curva) está mais para um pico Everest do que para uma chapada – diz o geógrafo, comparando a montanha de maior altitude do mundo e uma área de menor elevação.

Epidemiologista e professor do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina, Lúcio Botelho, afirma que é difícil avaliar um cenário futuro com o atual panorama do Estado, que varia entre novos decretos com medidas mais rígidas de enfrentamento ao vírus e flexibilizações:

- A gente não sabe no que se aposta. A gente não tem uma linha uniforme, coesa e coerente (de ações impostas pelas gestões estadual, federal e municipais). Em tese, a gente deveria tender a uma estabilidade. Eu diria que estamos numa tendência de ida ao platô, mas não creio que já chegamos ao ápice.

Pandemia em ondas

As primeiras notificações do vírus ocorreram na região litorânea de Santa Catarina, com pacientes que estavam em Florianópolis, no início de março. Em seguida, houve o primeiro registro de transmissão comunitária no Sul do Estado. O Oeste, logo em seguida, viveu uma explosão de casos, ligada especialmente aos trabalhadores de frigoríficos.

Depois, houve novos picos no Norte, especialmente em Joinville, e no Vale do Itajaí, regiões que ainda convivem com a situação grave. Por fim, a Serra começa a aparecer com mais frequência nos registros de covid-19, inclusive com decretos de lockdown em alguns municípios. 

Ainda na época em que houve um surto na região Oeste de SC, o secretário de Estado de Saúde, André Motta Ribeiro, alertou que "essa pandemia viria em ondas", afetando regiões em momentos diferentes. Segundo o epidemiologista Lúcio Botelho, essas ondas são "um comportamento de uma epidemia em uma sociedade". 

- Joinville e Itajaí são as cidades que mais aumentam mortes e casos do ponto de vista percentual. Joinville é o município que menos parou a economia. Há uma enorme quantidade de indústria, aglomeração de pessoas. É o comportamento em Joinville. A situação dos frigoríficos ocorreu no Oeste e no mundo inteiro, não por causa do frio, mas pela aglomeração - explica. 

Na mesma linha, Botelho critica a proibição dos serviços de transporte coletivo, enquanto outras atividades, como comércio e indústiras, por exemplo, seguem abertas. Isso, porque, a população vai buscar outras formas de se deslocar e manter o emprego, inclusive através de transporte clandestino:

- (Assim), o nível de isolamento não vai parar de cair. O gestor tem que mostrar o caminho, senão, cada um vai buscar o que melhor lhe convir. E uma epidemia é sempre uma doença com caráter coletivo muito grande. 

A taxa de isolamento social divulgada na última quarta-feira (5), estava em 34,6% em Santa Catarina. O ideal, no período de pandemia, é ficar acima de 60%, segundo já avaliou a Secretaria de Estado de Saúde de SC, o que ocorreu somente em março, quando o governador Carlos Moisés da Silva decretou situação de emergência no Estado.

Fonte: NSC Total





SEJA O PRIMEIRO A COMENTAR




VEJA TAMBÉM