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Saúde

Pandemia afeta realidade da doação de órgãos no Brasil

Domingo é celebrado o Dia Nacional da Doação de Órgãos

Por Luan de Bortoli
25/09/2020 às 06h19 | Atualizada em 25/09/2020 - 11h14


O Brasil celebra neste mês o Setembro Verde, um período dedicado ao esclarecimento da população sobre a importância da doação de órgãos. O auge da ação é no dia 27, quando é comemorado o Dia Nacional da Doação de Órgãos. Conforme dados oficiais da saúde, no Brasil são mais de 45 mil pessoas que aguardam em filas para um transplante.

Criadas para fomentar a ideia, campanhas como o Setembro Verde tem apresentado alguns resultados práticos. Nos últimos dez anos, o Brasil teve um aumento significativo no número de procedimentos realizados. O país saltou de 6.426 cirurgias em 2010 para 9.212 transplantes de coração, fígado, intestino, pâncreas, pulmão e rim em 2019 — um incremento de 43,3%.

Mas a pandemia de coronavírus impõe uma dura realidade para os pacientes que dependem de um novo órgão em 2020. De acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes, a taxa de doadores efetivos caiu 6,5% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2019. Quando se confrontam os números de doadores no primeiro e no segundo trimestres de 2020, a queda é ainda mais expressiva: 26,1%.

A Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) analisou o impacto da pandemia sobre os procedimentos realizados no primeiro semestre. Em relação ao mesmo período ano passado, caiu o número de transplantes de fígado (6,9%), rim (18,4%), coração (27,1%), pulmão (27,1%), pâncreas (29,1%) e córneas (44,3%). A ABTO classifica a situação como “muito preocupante” e projeta um cenário dramático até o final do ano: o Brasil deve realizar 3.621 cirurgias em 2020, uma queda de 60,6% em relação a 2019.

Realidade em Concórdia

Em Concórdia, já foram realizados 51 procedimentos para retirada de órgãos no Hospital São Francisco, desde o credenciamento da instituição em 2007. Neste ano, foi realizada apenas uma doação – em fevereiro –, na qual foram captados rins, fígados e globo ocular.

"Infelizmente neste ano, em virtude da pandemia, estamos com dificuldade de logística, pra fazer a confirmação, tem alguns exames encessário no paciente doador, tem que fazer alguns testes, que estão sendo dificultados porque tem que levar até Florianópolis, então este ano estamos tendo dificuldades, mas a gente vem ano após ano fazendo captações", explica o Dr. Fernando Guedes, médico do Hospital São Francisco, responsável pelo setor.

"É importante que se covnerse em casa. Infelizmente é uma situação que ninguém tá livre. As pessoas estão mais conscientes. Principalmente o pessoal mais jovem, pessoal conversa em casa, tem essa ideia incutida. E ao longo do tempo foi vendo a seriedade que o processo é feito. Deve ser reconfortante para o familiar saber que, mesmo partindo, salvou a vida de alguém", pontua Guedes.

Santa Catarina

O número de transplantes de órgãos caiu em Santa Catarina nos oito primeiros meses de 2020, impactado pela pandemia do novo coronavírus. De janeiro a agosto deste ano, o Estado teve queda de 7,58% no número de transplantes de órgãos. Foram 264 procedimentos feitos nesse período, contra 244 nos mesmos meses de 2019.

O número contabiliza os transplantes de órgãos como rim, fígado e coração, mas não considera tecidos e córneas, que durante o pico da pandemia foram proibidos no país – apenas casos de urgência puderam ser levados à cirurgia. Quando somados todos os transplantes, a queda foi de 33% – foram 624 procedimentos feitos até agosto de 2020, contra 931 registrados nos mesmos meses de 2019.

A fila de espera pela córnea em SC passou de 114 em agosto de 2019 para 255 em agosto deste ano. Nos outros órgãos, a lista de pessoas que aguardam por transplante teve poucas variações na comparação entre agosto de 2019 e de 2020.

A doação

A doação de órgãos ocorre sempre que um paciente é diagnosticado com morte cerebral, AVC isquêmico, traumatismo cranioencefálico ou aneurisma cerebral. É sempre recomendável que as pessoas deixem a família avisada sobre a intenção de ser doador pois são os parentes mais próximos os responsáveis por autorizar ou não a captação de órgãos.

Projetos de incentivo

O Senado analisa pelo menos oito projetos que pretendem incentivar a doação de órgãos no Brasil. O PLS 405/2012, do senador Humberto Costa (PT-PE), institui a chamada doação presumida. De acordo com o texto, a pessoa que não deseja doar partes do corpo após a morte deve registrar a expressão “não doador de órgãos e tecidos” no documento de identidade.

O PL 3.176/2019, do senador Major Olimpio (PSL-SP), também torna presumida a autorização para doação de órgãos. De acordo com o projeto, a regra valeria para maiores de 16 anos. O texto vai além e estabelece penas mais duras para os crimes de remoção ilegal, compra e venda de partes do corpo e realização de transplante com órgãos obtidos ilegalmente.





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