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Concordiense que mora em Manaus vive o drama do colapso na saúde do Amazonas

Em entrevista, ela relata os problemas vividos e a falta de cuidado da população.

Por Luan de Bortoli
19/01/2021 às 06h10 | Atualizada em 19/01/2021 - 18h46


Todo o colapso no sistema de saúde do Amazonas em função do coronavírus que o restante do país acompanha pela imprensa, a concordiense Gessandra Smioni Basseggio vive de perto e o sente na pele. Ela mora na capital Manaus desde 2007. Nesta segunda-feira, dia 18, ela conversou com a reportagem da emissora, e trouxe um relato da situação caótica porque passa o Estado.

Conforme a concordiense, a falta de oxigênio é um problema real e ainda mais grave do que o visto pelo restante do Brasil. Segundo ela, a situação atinge, além da capital, outras cidades do Estado. O pouco que resta do produto, é superfaturado, com preços quase impraticáveis Há ainda problemas de falta de leitos em unidades de saúde.

“O uso do oxigênio, acredito, quadruplicou. Falta oxigênio nas demais cidades do Amazonas também. Todo mundo tá em busca de oxigênio. E quem tem, poucos, mas alguns têm, estão superfaturando. Um oxigênio que era comprado por R$ 700, hoje tem gente cobrando até R$ 5 mil. Tem gente morrendo em casa. Não tem leitos em hospitais, nem no particular”.

O drama de diversas famílias está próximo da concordiense. Ela relata dois casos que exemplificam o caos em Manaus. “A gente perdeu o pai de uma das nossas vendedoras em casa. Ela não conseguiu leito, nem oxigênio. É um cenário de guerra. Nós temos um tio com covid, aqui em Manaus, ligamos para vários hospitais. Nenhum tem vaga, nenhum pode recebê-lo. Ele tá se tratando em casa, porque tá tudo lotado”

Em meio ao colapso da saúde, a solidariedade. A população criou uma rede para ajudar pessoas que estão sofrendo com falta de comida e água. “Boa parte da população se reuniu e está arrecadando alimentos, montando marmitas, e distribuindo para familiares que ficam do lado de fora dos hospitais, e também para profissionais que estão na linha de frente, até eles estão sem comida e água. É um total descaso”.

Parte do problema é fruto da falta de cuidado da população. Conforme a concordiense, as pessoas não usam máscaras e participam de festas proibidas e há descaso do governo. “O comércio está fechado, somente os essenciais estão abertos. Mas nas ruas a gente vê muitas pessoas sem máscaras. E em Manaus tem muitas festas clandestinas. Das 19h até as 06h da manhã, somente os casos de urgência e que estão enquadrado em serviços essenciais podem circular. No primeiro pico da pandemia, poucos tinham conhecidos infectados. Agora, todos tem um ou mais com o vírus e necessitando oxigênio”.

Formada como enfermeira pela UnC de Concórdia, mas sem atuar na área, Gessandra é taxativa ao afirmar que tem pressa pela vacina e que apenas a ciência pode salvar vidas. Ela é casada e tem dois filhos – de 11 e seis anos, ambos nascidos no norte do país. A concordiense e o marido são proprietários de uma empresa do ramo de alimentação. O restante da família ainda reside em Concórdia.





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