O Hail Mary Pass é o passe lançado quando não há mais tempo, quando tudo depende de um milagre. Às vezes do meio de campo, o quarterback fecha os olhos, lança a bola em direção à endzone adversária e espera. Espera que alguém, no meio do caos, agarre aquela chance improvável e transforme o impossível em vitória. O termo ganhou força em 1975, quando o quarterback Roger Staubach, do Dallas Cowboys, lançou um passe decisivo contra o Minnesota Vikings. Após a vitória, explicou com simplicidade desarmante: Fechei meus olhos e rezei uma Ave Maria. A jogada deu certo e a NFL nunca mais esqueceu o nome.

Curioso, não? Em um esporte marcado pela força e pela precisão, o lance mais desesperado recebe o nome de uma oração. Talvez porque, no fundo, todos saibamos: há momentos em que só o Céu pode resolver. Ainda assim, quantos de nós, católicos, tratamos a Ave Maria como algo banal? Quantos saem do confessionário quase frustrados ao ouvir do sacerdote: reze uma Ave Maria? Como se fosse pouco. Como se fosse simples demais para reparar pecados graves, quedas repetidas e ofensas ao próprio Deus.
Pobre das almas que pensam assim. A Ave Maria é um dos maiores tesouros da fé católica. É uma oração profundamente bíblica e, ao mesmo tempo, uma aula viva de catequese. Sua primeira parte reflete as Escritura: a saudação do arcanjo Gabriel Ave, cheia de graça e as palavras inspiradas de Santa Isabel bendita sois vós entre as mulheres. Já na segunda parte, professamos com clareza o primeiro dogma mariano: Maria é Theotokos, Mãe de Deus. E, como filhos confiantes, suplicamos: rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte.

Cada Ave Maria é um pedido de intercessão àquela que, em Caná, percebeu a falta de vinho antes de todos e apresentou a necessidade a Jesus. É reconhecer que sozinhos não damos conta. É lançar, com humildade, nosso próprio Hail Mary espiritual quando o pecado nos encurrala, quando o tempo parece curto, quando a alma já não encontra forças. Não por acaso, foi através dela que Deus decidiu entrar na história. Por meio do seu sim, veio ao mundo nosso único Salvador, Jesus Cristo.
Se até um jogador da NFL, em um momento extremo, recorre à Ave Maria quando já não há jogada possível, quanto mais nós, na batalha diária pela santidade. Talvez o verdadeiro milagre não esteja apenas no touchdown improvável, mas no coração que aprende a confiar. Porque, no jogo da vida, a Ave Maria nunca é uma oração qualquer. É sempre uma chance de vitória.
Salus Populi Romani















