OPINIÃO


RAFAEL MARTINI


Jornalista
Jornalista Graduado, Profissional de Rádio e Bacharel em Administração de Empresas

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O que estamos formando como sociedade?


Casos recentes envolvendo jovens expõem falta de valores, empatia e levantam um alerta sobre o futuro das próximas gerações.

Adicionado em 15/04/2026 às 16:01:54

Um estudante de Direito foi filmado agredindo um morador de rua com uma arma de choque, em Belém. O vídeo, gravado por um colega do mesmo curso, mostra uma cena que vai além da violência física — revela um nível preocupante de desumanização.
 
A agressão aconteceu em frente à universidade onde ambos estudam. Os envolvidos foram afastados, e o caso está sendo investigado. Mas a pergunta que fica vai muito além das medidas imediatas: **até quando situações como essa vão continuar se repetindo?**
 
Não é um caso isolado.
 
Recentemente, outro episódio causou indignação e ganhou repercussão nacional e internacional: o caso do Cão Orelha, brutalmente agredido e morto por adolescentes em Florianópolis. Um ato de crueldade que chocou pela frieza e pela falta de qualquer tipo de empatia.
 
Diante desses fatos, a reflexão é inevitável: que tipo de sociedade estamos formando?
 
O que preocupa não é apenas a violência em si, mas o perfil de quem a pratica. Jovens, estudantes, pessoas com acesso à educação, muitas vezes vindas de famílias estruturadas. Isso desmonta o argumento de que o problema está apenas na falta de oportunidade.
 
O que está em falta, cada vez mais, são valores.
 
Respeito ao próximo. Limites. Noção de consequência. Empatia. Elementos básicos que deveriam ser ensinados dentro de casa, reforçados na convivência social e consolidados ao longo da vida.
 
Para quem é pai ou mãe — no sentido real da palavra, de quem cria, orienta e educa — situações como essas causam preocupação. Porque o que se vê não são casos isolados, mas sinais de um comportamento que começa a se repetir.
 
E quando a repetição acontece, deixa de ser exceção e passa a ser alerta.
 
Vivemos em uma sociedade que evoluiu em tecnologia, acesso e informação, mas parece estar regredindo em princípios. Onde limites são cada vez mais questionados, e atitudes graves são, muitas vezes, tratadas com superficialidade.
 
A consequência disso é um futuro incerto.
 
Que adultos esses jovens se tornarão?
Que referências estão sendo construídas?
Que sociedade será deixada para as próximas gerações?
 
Talvez essas perguntas incomodem. Talvez soem duras. Mas são necessárias.
 
Porque ignorar esses sinais não resolve o problema. Apenas adia uma realidade que já começa a se impor.
 
Para encerrar, vale uma reflexão simples — e antiga, mas ainda atual: educação não se resume à sala de aula. Começa dentro de casa, no exemplo, no limite e na responsabilidade.
 
E, diante de tudo isso, talvez seja o momento de parar e pensar:
não é apenas sobre os casos que chocam.
É sobre o tipo de sociedade que está sendo construída.
 
E isso diz respeito a todos.

"O que está faltando em casa é a PEDAGOGIA DA CINTA", by Luiz Carlos Prates.
 



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