A frase da canção "Fundamentos pra Voltar", vencedora do Canto de Luz de Ijuí, no Rio Grande do Sul, traz em poucos versos uma reflexão que talvez seja uma das mais necessárias dos tempos atuais.
Afinal, que mundo é esse que estamos construindo?
Vivemos na era da tecnologia, da informação instantânea, da inteligência artificial, das redes sociais e da comunicação sem fronteiras. Nunca tivemos tanta facilidade para conversar com pessoas do outro lado do planeta. E, paradoxalmente, talvez nunca tenhamos tido tanta dificuldade de conversar com quem está sentado à mesa ao nosso lado.
A tela dominou o olhar.
Crianças trocam brincadeiras pelo celular. Jovens conhecem milhares de pessoas nas redes sociais, mas têm dificuldade de manter uma conversa verdadeira. Adultos vivem correndo atrás de dinheiro, status e reconhecimento, enquanto o tempo para um café em família ou uma visita ao vizinho parece ter se tornado um luxo.
E a pergunta ecoa, como na música:
"Que mundo é esse, onde uma tela domina? Que mundo é esse, que cresceu pra se encolher?"
Crescemos em tecnologia, mas encolhemos em humanidade.
Perdemos a paciência de ouvir. Perdemos o hábito de respeitar os mais velhos. Perdemos a capacidade de discordar sem brigar. Perdemos o costume de ensinar pelo exemplo.
Antigamente, o aperto de mão tinha valor. A palavra dada valia mais que um contrato. Os vizinhos se conheciam pelo nome, cuidavam uns dos outros e as crianças aprendiam, no convívio diário, o significado de respeito, limite e responsabilidade.
É claro que o passado não era perfeito. Havia dificuldades, injustiças e problemas. Mas é impossível negar que muitos fundamentos ficaram pelo caminho.
Hoje, vemos uma sociedade ansiosa, impaciente e cada vez mais individualista. Pessoas que querem falar, mas não sabem escutar. Que querem direitos, mas esquecem dos deveres. Que acumulam seguidores, mas sentem falta de amigos verdadeiros.
Talvez seja justamente isso que a canção tenta nos lembrar.
Não se trata de abandonar a tecnologia ou desejar voltar ao passado. O progresso é necessário e faz parte da evolução da humanidade. O problema começa quando as máquinas evoluem mais rápido do que o caráter humano.
O grande desafio desta geração não é criar celulares mais modernos ou computadores mais inteligentes.
O grande desafio é formar seres humanos melhores.
Pais que eduquem pelo exemplo. Filhos que aprendam a respeitar. Famílias que conversem. Comunidades que voltem a se importar umas com as outras.
A música fala em "fundamentos para voltar". E talvez esta seja a maior urgência do século XXI.
Porque podemos conquistar o mundo com a tecnologia, viajar pelo espaço e desenvolver máquinas extraordinárias.
Mas se perdermos a capacidade de olhar nos olhos, de respeitar o próximo e de viver em comunidade, teremos avançado muito como sociedade moderna — e retrocedido profundamente como seres humanos.
Segue o link da música abaixo que retrata justamente o tema desta coluna.
(Letra: Maximo Fortes / Melodia: Halber Lopes e Cristiano Fantinel) 4º Canto de Luz (Ijuí/RS) - 1º Lugar, Melhor Instrumental e Melhor Interprete Cordeona: Jarbas Nadal / Violão Solo: Halber Lopes / Violão Base: Dionathan Farias / Violão Solo: Iuri Menezes / Contrabaixo: Xuxu Nunes.












