OPINIÃO


RAFAEL MARTINI


Jornalista
Jornalista Graduado, Profissional de Rádio e Bacharel em Administração de Empresas

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Farmar aura ou perder a vida? A geração que troca propósito por curtidas


Enquanto jovens disputam prestígio em desafios das redes sociais, cresce a sensação de uma sociedade que perdeu o rumo da vida

Adicionado em 06/08/2026 às 11:01:58

Quem observa os novos fenômenos das redes sociais talvez fique com a mesma pergunta: o que está acontecendo com a nossa juventude?

A moda da vez chama-se "farmar aura".

A expressão nasceu nos videogames, ganhou força nas redes sociais e agora ocupa praças públicas, onde adolescentes se reúnem para fazer poses, danças, caretas e desafios na tentativa de conquistar aprovação, fama momentânea e alguns segundos de viralização.

Pode parecer apenas uma brincadeira. Mas ela revela algo muito maior. Mostra uma geração que, em muitos casos, passou a acreditar que o reconhecimento vale mais do que o esforço. Que aparência vale mais do que caráter. Que engajamento vale mais do que competência.

Antigamente, os jovens tinham outro tipo de preocupação. Ajudavam na lavoura, trabalhavam no comércio, aprendiam uma profissão, cuidavam da casa ou acompanhavam os pais na lida diária. O trabalho ocupava o tempo. E o trabalho também educava. Ensinava responsabilidade. Pontualidade. Respeito. Sacrifício.

Hoje, infelizmente, muitos parecem viver em função da próxima tendência da internet. Passam horas tentando impressionar desconhecidos enquanto deixam de impressionar aqueles que realmente importam: a própria família.

Vivemos uma sociedade que transformou a fama em objetivo de vida. Não importa como. Importa aparecer. Quanto mais curtidas, mais importante a pessoa acredita ser. Só que existe uma diferença enorme entre popularidade e respeito. Curtidas desaparecem em poucas horas. O caráter permanece por toda a vida.

É evidente que nem todos os jovens são assim. Há milhares estudando, trabalhando, empreendendo e construindo um futuro digno. Mas é impossível ignorar que parte da juventude vem sendo seduzida por uma cultura do vazio, onde a imagem vale mais do que o conteúdo e o espetáculo substitui o mérito.

O problema não está apenas nas redes sociais. Elas apenas potencializam aquilo que a sociedade passou a valorizar. Vivemos a época do sucesso instantâneo. Todos querem colher. Poucos aceitam plantar. Todos querem reconhecimento. Poucos estão dispostos ao esforço que ele exige. Talvez seja justamente por isso que vemos crescer a ansiedade, a frustração e o sentimento de vazio.

Quem vive apenas da aprovação dos outros nunca encontra paz. Porque sempre dependerá do próximo comentário, da próxima curtida ou do próximo vídeo viral.

Enquanto isso, profissões importantes continuam precisando de mão de obra. O campo procura trabalhadores. A indústria procura profissionais. O comércio procura gente comprometida. Mas muitos preferem perseguir uma fama que dura menos que um dia nas redes sociais.

O trabalho nunca saiu de moda. O que saiu de moda foi reconhecer o seu valor. Talvez esteja na hora de lembrar uma lição simples que nossos pais e avós conheciam muito bem. Quando havia muito serviço para fazer, sobrava pouco tempo para fazer bobagens.

Pode soar duro para alguns. Mas o trabalho continua sendo uma das maiores escolas da vida. Ele forma caráter. Ensina limites. Desenvolve responsabilidade. E, principalmente, dá sentido à existência.
Nenhuma tendência da internet será capaz de substituir isso.

Uma sociedade que transforma curtidas em conquistas corre o risco de esquecer que o verdadeiro prestígio não nasce das redes sociais, mas da honestidade, do trabalho e da contribuição que cada pessoa deixa para a comunidade. Modismos passam. Valores permanecem.



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