OPINIÃO
RAFAEL MARTINI
Jornalista
Jornalista Graduado, Profissional de Rádio e Bacharel em Administração de Empresas
https://www.linkedin.com/in/rafael-martini-b1367430/
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Concórdia precisa voltar a ter voz e vez em Brasília
A ausência de um deputado federal há anos cobra um preço: menos força política, menos capacidade de articulação e menos investimentos.
Adicionado em 12/08/2026 às 10:24:05
A pergunta parece simples, mas a resposta revela um problema que se arrasta há anos. Concórdia já teve um representante com atuação no Congresso Nacional. Odacir Zonta, que também foi prefeito de Concórdia e deputado estadual, exerceu mandato de deputado federal entre 2003 e 2010, com atuação especialmente ligada à agricultura e ao cooperativismo.
Desde então, a região não voltou a eleger um deputado federal com origem política em Concórdia.
E isso faz diferença. Não se trata de diminuir a importância dos deputados de outras regiões ou negar que parlamentares catarinenses possam defender pautas de Concórdia. Evidentemente, podem e devem.
Mas existe uma diferença entre ter aliados em Brasília e ter alguém da nossa região sentado permanentemente à mesa onde as decisões são tomadas. Um deputado federal conhece de perto as estradas que utilizamos, os hospitais que atendem nossa população, as dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo, as demandas dos municípios, da agricultura, das cooperativas, das empresas e das famílias.
Conhece a região não apenas por relatórios ou visitas durante períodos eleitorais. Conhece porque vive aqui.
E política, gostemos ou não, também é capacidade de articulação. É presença. É cobrança. É relacionamento institucional. É buscar recursos, defender projetos e insistir até que determinada demanda seja atendida.
Por isso, quando uma região inteira fica sem representante direto na Câmara dos Deputados, perde-se também uma importante ferramenta de negociação política. E quem paga essa conta é a população. Há estimativas de que Concórdia e a grande região deixem de movimentar cerca de R$ 350 milhões em emendas parlamentares ao longo de uma legislatura de quatro anos, segundo os dados apresentados para esta discussão. É dinheiro que poderia ajudar em infraestrutura, saúde, educação, agricultura e tantas outras áreas.
E aqui está uma contradição que precisa ser enfrentada. A região produz, trabalha, arrecada e contribui. Mas, quando chega a hora de buscar recursos, precisa disputar espaço com regiões que possuem bancadas e representantes muito mais organizados.
É evidente que as emendas parlamentares não podem ser tratadas como solução para todos os problemas. O desenvolvimento de uma região não pode depender exclusivamente da capacidade de um deputado de trazer recursos. Mas seria ingenuidade negar que representação política influencia diretamente a capacidade de articulação de um território.
Concórdia não pode ficar esperando. A AMAUC não pode continuar sendo apenas uma região produtiva lembrada quando é necessário arrecadar, produzir ou exportar. Precisamos ser lembrados também quando os investimentos são definidos.
E aqui faço uma ressalva importante: defender representação em Brasília não significa abandonar a convicção de que o atual modelo federativo precisa ser profundamente discutido. Pelo contrário. Continuo entendendo que existe uma discussão legítima sobre quanto a Região Sul arrecada, quanto recebe de volta e até que ponto o atual modelo de distribuição de recursos atende aos interesses de quem produz.
Mas enquanto o modelo for este, é preciso jogar o jogo dentro das regras existentes. Se Brasília concentra decisões e recursos, precisamos ter representantes capazes de disputar esses recursos. É aquela velha realidade: "já que é o que temos, precisamos fazer o melhor possível com o que temos."
A discussão sobre o futuro do pacto federativo pode e deve continuar. Mas, enquanto isso, Concórdia precisa de voz. Precisa de alguém que conheça suas necessidades, que conheça a AMAUC, que conheça o Oeste catarinense e que esteja disposto a transformar as demandas regionais em pautas nacionais. Porque desenvolvimento não acontece somente com discursos. Acontece com planejamento, articulação, representatividade e cobrança.
Concórdia já esperou demais. A região que produz, trabalha e contribui precisa também ter força para decidir. E talvez a próxima eleição seja uma oportunidade para que a população reflita não apenas em quem votar, mas principalmente sobre o que queremos conquistar enquanto região e quem terá condições de defender essas demandas onde as decisões realmente acontecem.
Concórdia não pode mais esperar. A AMAUC precisa voltar a ter voz e vez em Brasília.
FOTO: Luís Longhini/11/08/2026














