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​Ipumirinense fala da apreensão de morar no país com mais mortes por Coronavírus

Patrícia Schmidt está em confinamento desde 13 de março quando os Estados Unidos decretaram pandemia

14/04/2020 às 06h00 | Atualizada em 15/04/2020 - 10h06


Estar a mais de 7.700 quilômetros da família neste momento de pandemia mundial não está sendo fácil para a ipumirinense Patrícia Iana Schmidt. A jovem é filha do prefeito de Ipumirim, Volnei Schmidt e desde outubro do ano passado está morando na cidade de College Park, Estado de Maryland, nos Estados Unidos. A cidade fica a 20 quilômetros do centro da Capital Washington. 

Patrícia contou para a reportagem das Rádios Rural/96 que está em confinamento, dentro de casa, há exatamente um mês, desde o dia 13 de março, quando o governo Norte-Americano decretou estado de pandemia, e nesse período saiu apenas duas vezes para ir ao mercado. 
 

“Então assim, a situação aqui é bem complicada, delicada e tá muito difícil. Eu por exemplo tô em confinamento desde o dia 13 de Março, mas esses rumores do vírus aqui começaram em janeiro. Eu tô fazendo parte do meu mestrado no Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, e em parceria com a Universidade de Maryland, então tem pesquisadores do mundo inteiro e muitos deles da China. Então esses rumores já começaram lá em janeiro. Pesquisadores que chegavam de viagem já ficavam em confinamento, por 15 dias pelo menos, e no mês de fevereiro isso se agravou um pouco. Até que no dia 13 de Março a gente recebeu instruções de que havia sido acionado um plano de pandemia. Recebemos treinamento para trabalhar online, para fazer reuniões via plataformas e para ter acesso remoto a todas as atividades para poder trabalhar em casa”, destacou.

O país Norte-Americano vem sofrendo com a pandemia, onde mais de meio milhão de habitantes já se infectaram com o COVID-19 e é o país, no mundo, onde mais morreram pessoas. Até esta segunda-feira (13) já haviam perdido a vida 23.610 pessoas.

© Getty Images

Patrícia é Zootecnista e atualmente aluna da UNESP, a Universidade Estadual de São Paulo e está nos Estados Unidos desenvolvendo parte da pesquisa de mestrado. O projeto do estudo que é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo era para encerrar o ciclo no dia 30 de abril. Mas devido ao confinamento ela não sabe como será o futuro do mestrado, podendo até ser prorrogado por mais tempo.
Perguntada como está sendo viver longe da família, ela se diz angustiada, mas a forma que ela encontrou para se sentir mais segura é ficar dentro de casa, em confinamento como pedem as autoridades.
 

“Não está sendo fácil, mas o início foi pior. Foi mais angustiante por estar longe da família, com outra cultura, outro idioma. Não é fácil, ainda mais em uma situação de pandemia mundial. Mas a Universidade daqui juntamente com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, assim como a Fundação do Estado de São Paulo estão nos dando muito apoio. Além disso a Fundação no Brasil criou um canal online específico para essa situação, para todos os alunos brasileiros que estão fora do país se comunicarem, tirarem dúvidas e receberem todo tipo de suporte. E é isso, a forma que eu encontrei de me sentir mais segura, diante disso tudo, foi ficar e permanecer em confinamento. Logo de início pensei em voltar, mas o problema é que não é só voltar, tem todo um processo, de conseguir uma passagem, sair daqui, chegar no Brasil, saber o que fazer quando chegar no Brasil, ficar em quarentena.
Então, assim, eu escolhi esperar e é isso que eu tô fazendo. Tô esperando, eu tô melhor, eu consegui criar uma rotina para fazer minhas coisas, mas definitivamente não é fácil. No início nem tinha voo saindo de Washington, agora tenho passagem para o dia 30 (abril), mas não sei como será”.

Patrícia Schmidt argumenta que a população está ciente e, desde antes do pronunciamento do governo, já estava tomando todas as precauções possíveis. Ela destaca como outra preocupação a falta de produtos nos mercados, quando foi pela última vez, no início do mês, encontrou as prateleiras vazias, faltando, principalmente produtos de higiene e limpeza. Outro fato destacado pela estudante é que o governo local é rígido, inclusive multando as pessoas que descumprirem as normas.


Arquivo pessoal

“A população antes mesmo de um pronunciamento maior dos governantes já estava tomando as devidas precauções e as medidas, mas no dia 30 de Março, pelo menos aqui no estado que eu estou, o Governador decretou o confinamento. Aqui é permitido sair somente para ir ao mercado e farmácias e, mesmo assim, tem muitos desses serviços que estão oferecendo entregas. Eu mesma só saí duas vezes desde que isso começou e sempre segui todas as recomendações como uso de luvas, máscaras e ao chegar em casa higienizando todas as compras, lavando a roupa do corpo e tomando banho. Aqui no Estado foi aplicado até multa para quem descumpre as regras, com multas de até $ 5 mil dólares. Então é muito sério, um pouco aterrorizante, mas as pessoas estão cumprindo eu vejo assim cada um está fazendo a sua parte”, ressaltou.

A ipumirinense diz estar com saudades de todos, mas sabe que esse é um momento de privação, de confinamento e pede para que todos pensem na família, nos amigos, nas pessoas que estão próximas e respeitem as regras impostas pelos governantes.
 

“Não negligenciem, não subestimem, não pensem que estamos livres disso. É melhor pecar pelo excesso, tomem todas as medidas necessárias. É isso que vai fazer a diferença. É isso que vai ajudar a reduzir a transmissão desse vírus”, finalizou.

Arquivo Pessoal/Nova York/Facebook

 






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