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Estiagem

Estiagem: propriedade reduz plantel e tem impactos financeiros de até 30%

O cenário era considerado desolador. O verde deu lugar a uma vista apagada, em tons de marrom.

Por Luan de Bortoli
01/12/2020 às 06h09 | Atualizada em 02/12/2020 - 06h58


Com uma estiagem poucas vezes vista na história de Concórdia, os agricultores trabalham para contar as perdas e evitar ainda mais prejuízos. A seca devastou boa parte da produção no campo concordiense. No município, se estima quase R$ 45 milhões em impactos negativos. Produtores atuam com bastante dificuldade. Na propriedade da família Ponath, que trabalha com produção de leite, em Barra do Tigre, os danos impactaram 30% das finanças.

Nas últimas semanas, o cenário era considerado desolador. O verde deu lugar a uma vista apagada, em tons de marrom, por conta da falta de chuva, e o rio secou totalmente (vídeo abaixo). Cristiano Filipe Ponath contou à reportagem da emissora, em entrevista nesta segunda-feira, dia 30, que a estiagem afetou de forma bastante intensa. O milho está atrasado e as perdas nas pastagens são de cerca de 50%

“A produção de leite foi diretamente afetada. Como não houve mais chuva, não houve mais produção de pasto, a produção de alimento para animais diminuiu muito. E temos problema com água. Temos uma fonte, e acabamos tendo que racionar água. O rio que travessa a propriedade ficou em torno de três semanas seco”, relata.

 


“A produção de milho também foi afetada. Nesse período, ele tá em período de floração. Deveria estar com mais de dois metros de altura, e nesse momento ele tá com um metro, um metro e dez. Eu posso dizer que de 50% a mais vai ser afetada a produção de silagem. A gente ainda tem reserva de silagem do ano anterior. Mas o que mais nos preocupa é a reserva para o próximo ano, da onde a gente vai tirar alimento par ao próximo período de inverno”.

A produção de leite na propriedade também caiu. O volume da produção está 30% abaixo do que alguns meses atrás. Com isso, houve também a necessidade de diminuir o plantel. Cristiano explica que já houve a redução de alguns animais, mas ele não descarta cortar ainda mais o plantel caso a situação não resolva nos próximos meses.

“Foi afetada em torno de 30% [a produção de leite]. A gente tinha uma reserva, e fomos procurando manter os animais e alimentando na medida do possível, compramos alimento de fora. Tínhamos umas dezessete vacas, mas acabamos nos desfazendo de algumas por causa da estiagem. Eram vacas que já apresentavam alguns problemas. E, nesse momento, você acaba se desfazendo delas para usar alimento com animais de melhor produção. E se a situação agravar, a gente não descarta vender mais animais”.

Com tudo isso, houve o aumento nos custos de produção para aquisição de alimentação e insumos. A família projeta um aumento de gastos neste aspecto de cerca de 30%. Mas, em meio a tudo isso, há uma expectativa positiva. A chuva dos últimos dias já impactou na pastagem, que apresentou rápida melhora a curto prazo, assim como na situação da água para animais.






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