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Mãe de bebê sobrevivente fala para o caderno Crescer/Globo.Com

Alta da UTI, mas sem previsão de sair do hospital.

Por Marcos Feijó
06/05/2021 às 14h47 | Atualizada em 06/05/2021 - 14h56

(CRESCER, GLOBO.COM/Sabrina Ongaratto)
Nesta quarta-feira (5), a família de Henryque, 1 ano e 8 meses, uma das vítimas do ataque a creche em Saudades, Santa Catarina, recebeu uma boa notícia: o pequeno teve alta da UTI. Em entrevista à CRESCER, a mãe, Adriana Martins, contou que o filho frequentava a creche há pouco mais de um mês. "Nos primeiros dias, não o levamos porque tinham muitos casos positivos de covid", conta.

"Estava na firma em que trabalho, uma empresa de confecção, quando chamaram todos os funcionários e falaram que quem tinha filhos na creche precisava buscá-los, pois havia acontecido algo muito grave. Fui correndo até lá e encontrei meu marido saindo da creche, dizendo que nosso filho estava no hospital. Ele contou que um louco entrou com um facão atacando a todos. Fiquei desesperada! Ele pediu para eu me acalmar e fomos até o hospital. Quando chegamos, os médicos estavam fechando os ferimentos do Henryque e ele chorava muito. Muitas pessoas vieram nos acalmar e lembro de uma amiga dizer: 'Agradece a Deus. Ele está vivo e é um milagre. Ele estava na linha de frente e Deus cuidou dele'. Mas ouvir o choro dele e não poder pegá-lo, acalmá-lo e estar junto dele foi muito difícil. Fiquei só vendo costurarem os ferimentos. Sem palavras para expressar o que eu senti. Eu chorava, orava e agradecia a Deus por ele estar vivo. Henryque teve um corte perto do olho, que atingiu até o osso da face, cortes nos lábios e gengivas, outro perto do pescoço, que atingiu o pulmão, na barriga e mais alguns superficiais. Apesar de tudo, em nenhum momento, eu pensei que iria perde-lo. Confiei muito em Deus! Sabia que Deus estava junto dele, pois já era um milagre apenas por estar vivo com tantos cortes."

Adriana também lamentou pelas cinco vítimas fatais do ataque — uma professora, uma agente educativa e três bebês com menos de 2 anos. "Sinto muito pelas famílias que perderam seus entes queridos. Não tenho palavras pra dizer o que sinto. Agradeço a Deus por ter o Henryque nos meus braços, mas me coloco no lugar das outras pessoas. Isso é triste demais", finalizou. Segundo ela, ainda não se sabe se Henryque ficará com sequela dos cortes e não há previsão de alta do hospital.

 

Fonte: SABRINA ONGARATTO - GLOBO.COM





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