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Estratégias para combater a escassez do milho são apresentadas em palestra

Evento aconteceu de forma remota.

Por Lucas Villiger
23/05/2021 às 15h33


A busca por volume e qualidade na produção de alimentos faz com que Santa Catarina tenha acesso aos mercados mais exigentes do mundo, se tornando peça chave para o agronegócio. Atualmente, o Estado é o maior produtor nacional de suínos e maçã, o segundo maior produtor de aves e arroz, o quarto maior produtor de leite, além de se destacar em outras atividades.

Porém, alguns desafios têm colocado em risco a produtividade das agroindústrias e a atividade dos produtores rurais, como a escassez do milho e a falta de uma logística adequada para a importação de grãos. Com o objetivo de apresentar o cenário e trazer novas perspectivas sobre o assunto, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (FAESC/SENAR-SC) promoveu palestra virtual na manhã desta sexta-feira (21).

Intitulada como "Mercados de grãos e perspectivas do Agronegócio", a palestra foi ministrada pelo economista Paulo Roberto Molinari. O evento foi coordenado pelo presidente do Sistema Faesc/Senar-SC, José Zeferino Pedrozo. Diretores e colaboradores da entidade, representantes de sindicatos, produtores rurais, técnicos e profissionais interessados no assunto estiveram presentes.

Na oportunidade, Molinari citou alguns pontos fundamentais que interferem diretamente na produção de milho e soja. Primeiro citou a Peste Suína Africana (PSA) e a pandemia da covid-19, doenças que geraram mudanças significativas no mercado internacional de suínos e bovinos e contribuíram com a diminuição das importações.

"O plantel de suínos na China está se recuperando bem, os preços internos da cadeia da suinocultura estão voltando aos níveis de 2018. Isso não quer dizer que a China vai parar de importar, mas o ápice de compras de carne suína por parte da China passou", destacou o palestrante.

Molinari também mencionou a influência da taxa de câmbio. "No ano passado, os governos despejaram dinheiro na economia, diminuíram as taxas de juros como nunca fizeram na história econômica global para evitar uma depressão em função da pandemia. Isso pode gerar inflação. O próximo passo dos bancos centrais será elevar as taxas de juros e essa elevação valoriza o dólar no mercado internacional e, consequentemente, desvaloriza o real", explicou.

Outro fator importante e de grande influência é o clima, que sofre a interferência do fenômeno La Niña. Esse evento climático provoca a formação de secas. Por isso, ainda que chova nos próximos dias, seria insuficiente para mudar o cenário e solucionar a escassez dos grãos. Devido a fatores climáticos, Molinari estima que neste ano a safrinha de milho deve ter queda de 40% a 50% em relação ao ano anterior.

Para driblar este cenário, Molinari sugeriu mais atenção ao plantio nos Estados Unidos, ao abastecimento do milho no primeiro semestre de 2022 e à demanda geral chinesa. "A safrinha brasileira tem uma queda imensa. Isso não traz um problema imediato. Na pior das hipóteses, em julho, agosto e setembro entra 60 milhões de toneladas de milho, mas precisamos pensar no primeiro semestre de 2022. Não é porque você é um pequeno ou um grande produtor de milho e de soja que você não tem que ter estratégias. O setor precisa mudar a sua concepção ou ficará desabastecido", explanou.

O presidente do Sistema Faesc/Senar-SC ressaltou que o agronegócio catarinense se destaca no cenário nacional com 31% do Produto Interno Bruto (PIB) e cadeias produtivas organizadas, fatores que permitem acesso aos mercados mais exigentes do mundo, mas é necessário resolver os gargalos existentes. "Discutir o mercado de grãos e perspectivas do agronegócio no País é fundamental para avaliarmos o cenário nacional e buscarmos alternativas e parcerias para solucionar o problema da falta de insumos que afeta a cadeia produtiva de proteína animal em nosso Estado", observou.

Pedrozo finalizou o evento falando sobre a importância de debater o tema e agradeceu a presença de todos que participaram. "É crucial a situação do milho e da soja, que são os dois componentes mais importantes na fabricação das rações para os animais", concluiu.

Fonte: MB Comunicações.





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