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Custos de produção preocupa produtores de suínos

Alta dos insumos e excedente de produção causam prejuízos para atividade suinícola.

Por Rafael Martini
28/12/2021 às 06h20 | Atualizada em 28/12/2021 - 09h25


As recentes quedas das cotações no preço do suíno vivo na última semana, entre os dias 14 e 21 de dezembro, tem causado preocupação para os produtores em todo o país e também para os criadores em Santa Catarina. De acordo com as informações apuradas, atualmente o valor de mercado do suíno vivo em Santa Catarina está cotado em R$5,70, segundo Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq.

O preço dos insumos também preocupa o mercado suinocultor. As previsões para os próximos meses são de aumento no valor da saca de milho. Esses reajustes frequentes encarecem ainda mais o custo de produção, que segundo os produtores, nos últimos meses o mercado tem acumulado prejuízos significativos.

Conforme o Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, atualmente, o mercado suinocultor é dividido em cenários distintos. "Tudo que é noticiado pela mídia, percebemos que se trata de uma suinocultura promissora, de grandes volumes exportados, recorde de produção com um crescimento muito forte. Isso traz um ganho muito expressivo para o nosso país. Trata-se de uma suinocultura de primeiro mundo, onde um produto de alta qualidade chega a mesa do consumidor", relata Losivanio.

Porém, de acordo com o presidente da ACCS, existe uma outra realidade que é bem distante quando se refere a lucratividade esperada pelo produtor. "Para se ter uma ideia, nós tínhamos sempre a partir do mês de agosto um aumento de preço pago ao produtor, mas em 2021 foi contrário em relação aos anos anteriores. O preço só diminuiu, principalmente nos últimos meses deste ano,  onde o custo de produção atualmente está quase a R$8,00 devido às altas do farelo de soja e do milho", completa.

"Fazendo uma avaliação do atual momento, o produtor chega a ter uma perda de R$250,00 a R$300,00 por suíno entregue. Uma situação muito desesperadora e, consequentemente, muitos produtores independentes estão deixando a atividade, pois não conseguem suportar os altos custos de produção", lamenta.

Além de todas as incertezas que o mercado vem atravessando, as projeções para os próximos meses não são nada animadoras. Os custos de produção não devem diminuir, pois, atualmente a região continua sofrendo com a estiagem, causando enormes perdas e prejuízos para os produtores. Outro agravante, é o crescimento desordenado da produção, como destaca o presidente da ACCS.

"É certo que continuaremos com as exportações em alta, pois o mercado reabre, como foi o caso da Rússia. Porém, houve um crescimento desordenado da produção, tanto por parte das industrias como das cooperativas, sendo que às vezes, não há mercado consumidor para tanto. Precisamos saber onde queremos chegar. As vezes é preciso limitar a produção nas propriedades. Cautela, é o que eu sempre reforço aos nossos produtores", salienta.

Em setembro, Santa Catarina bateu o recorde com o maior volume de carne suína embarcada em um único mês: foram 57,7 mil toneladas comercializadas com mais de 65 países. Os números são divulgados pelo Ministério da Economia e analisados pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa). Todavia, de acordo com o presidente da ACCS, o produtor não conseguiu atingir a lucratividade.

"Mesmo assim, nosso produtor não ganhou dinheiro, está pagando caro esta conta. O Dólar está em alta, beneficiando apenas as indústrias. Por mais que exportamos e damos o nosso melhor dentro da propriedade, não conseguimos ter lucratividade justamente pelo excedente de produção. Sabemos da importância da atividade suinícola, mas na atualidade, precisamos manter nossa produção estável para podermos continuar a lucrar em nossa atividade", finaliza.
 
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