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LAERCIO GRIGOLLO: "​NEM NEM 21... FICOU PIOR"

Por Luan de Bortoli
26/02/2022 às 06h37


O retrato dos jovens sem estudo e sem trabalho no Brasil ficou pior. Os dados vêm do levantamento feito pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas. A quantidade de jovens entre 15 e 29 anos que nem estudam e nem trabalham, chamados “nem-nem”, continua a crescer. No ano passado, o patamar da série iniciada em 2012 apresentou um percentual médio geral a nível de Brasil de 23,7%, ou seja, praticamente  10 milhões de brasileiros estão definitiva ou temporariamente nesse grupo e entre eles o perfil é o baixo nível educacional, cuja probabilidade de pertencerem ao grupo dos nem-nem é três vezes maior do que os jovens com ensino superior e a aposta é !!!, Essas pessoas, ou parte delas,  seguirão os caminhos do bem ou do mal? 

Na realidade de Santa Catarina, mais uma vez o estado ficou com o menor percentual. O retrato catarinense ainda é o melhor no país com 13,1% apesar de ter aumentado se comparado com os dados de 2020, onde o cenário apresentava 12% dos jovens catarinenses nem ocupados no mercado de trabalho e nem estudando.  Do outro lado do levantamento temos o pior cenário brasileiro. O estado do Maranhão é o líder dos não ocupados com 36,0%. O ranking mostra os estados brasileiros do sul com melhor gestão sobre a situação e os estados brasileiros do norte e nordeste com a pior gestão deste grupo de ociosos hoje nomeado de nem nem.   

Santa Catarina é a menos pior gestão com 13,1%; o Paraná apresenta um percentual de 16,9% e o Rio Grande do Sul com 17,4%. O outro extremo do cenário vem do norte/nordeste onde o Acre tem 32,2%, Alagoas com 34,1%, o Amapá tem 34,9% e o Maranhão numa espécie de liderança ruim,  tem 36,0% de jovens que nem estudam, nem trabalham. Os demais estados ficam no percentual abrangente entre os 18 e 30%.

O caro leitor deve saber que um cenário com milhares de pessoas ociosas, que nem estudam e nem trabalham, traz complicações importantes para a nossa economia, sem falar nas questões sociais, consequências naturais de quem não está ocupado produtivamente dentro de uma ordem legal da nossa rotina formal. Um estudo do Propensity Score Matching revela que a ociosidade em questão representa um custo de 0,6% do PIB e que, considerando uma trajetória crescente deste contingente, os prejuízos no longo prazo serão ainda mais severos. O abandono precoce dos estudos, o medo ou desencorajamento deste grupo para entrar no mercado de trabalho, o desemprego e especialmente a ausência de uma política efetiva, atualizada e atrativa são consideradas as vulnerabilidades à serem gerenciadas pelos estados brasileiros.

A preocupação com a ociosidade é de longa dat, entretanto nada de mais efetivo se faz. A geração dos nem-nem é um fenômeno social que não está relacionado só na oferta de postos no mercado de trabalho, é preciso considerar rigorosamente outros aspectos como o despreparo e a baixa qualificação demonstrando a fragilidade do nosso sistema educacional,  o assistencialismo dos programas governamentais sem uma contrapartida para mudar o comportamento dessa geração, tornando esse fenômeno o  maior risco para o futuro do Brasil com relação ao desenvolvimento econômico e social. E por fim eu credito uma parcela de responsabilidade ou falta dela, para as famílias que não souberam manter os valores que norteiam a boa educação e o bom caráter de parte dessa geração que esqueceram como seus pais e avós  sofreram para conseguir o sustento. Que legado deixaremos para o país?... A conta dessa geração improdutiva para pagar?

LAERCIO GRIGOLLO   
CONSULTORIA EMPRESARIAL GRIGOLLO CONSULTING





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