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LAERCIO GRIGOLLO: "O DOMÍNIO DO PETRÓLEO"

Por Redação
19/03/2022 às 09h41


O poder de fogo foi o tema que abordei semana passada tratando do poderio militar de cada país, também do Brasil, que está relacionado à tensão  preocupante que vivemos em razão do conflito armado entre a Rússia e a Ucrânia, momento que respinga problemas para o mundo todo.  Hoje, caro leitor, irei falar a respeito de outro ponto estratégico deste conflito, não no mesmo nível de gravidade da guerra propriamente dita,  mas uma das suas consequências preocupantes e que tem afetado muito a já estilhaçada economia mundial, que pode piorar principalmente se essa guerra ampliar a abrangência ou perdurar um período ainda maior. 

Eu falo do petróleo, caro leitor, que é o combustível mais utilizado em todo o mundo, coisa de 100 milhões de barris de consumo diário, segundo a Opep, e que por aqui no Brasil, não é diferente, a dependência dessa geração de energia equivale a 50% dentre todas as fontes energéticas utilizadas no país. Vamos considerar esse importante commodity em dois aspectos. O primeiro o desabastecimento, não das reservas que hoje estão na casa um trilhão e meio de barris, abastecimento garantido para 41 anos, porém com o conflito e principalmente as sanções contra o agressor, a venda e remessa fica sem garantias quanto ao custo e o risco da logística de transporte desabastecendo outros países.

Outra situação é o consequente preço que tem subido estratosfericamente nestes últimos dias e que afeta a inflação dos países compradores, pois sabemos que essas significativas reservas de petróleo estão distribuídas geograficamente em alguns pontos, nem todos os países tem sua autonomia. Atualmente dez países concentram as maiores reservas de petróleo existentes no planeta. A Venezuela com mais de 300 milhões de barris lidera o ranking mundial, mas tem problemas para a extração, a Arábia Saudita com 297,5 milhões de barris, o Canadá com 169.700 milhões de barris, o Irã com 157,8 milhões e chegamos ao Kremlin na Rússia, hoje com uma produção 107,8 milhões de barris, e que se posicionou como um dos principais fornecedores do óleo e gás principalmente para países europeus.

Estes dez países possuem as maiores reservas de petróleo e, por conseguinte, são detentores de uma importante fonte de um recurso estratégico além do status de poder diante do domínio deste mercado, são nações que despertam o interesse global, embora preciso destacar a Venezuela como uma exceção à regra, que possui a maior quantidade dessa riqueza natural mas não consegue transferir essa condição num status de mandatário mundial do mercado e nem para uma melhor qualidade de vida da sua população, por uma questão de um regime político específico. O Brasil, neste cenário, está na 16ª posição no ranking, com 11,9 milhões de barris produzidos, mas não refinados o que o torna dependente da importação ficando a mercê das condições adversas do momento. 

O domínio sobre o produto e o poderio do petróleo no mundo está mapeado geograficamente, o que significa soberania e controle natural. Porém, quando ocorrem conflitos entre os poderes o fluxo comercial de exportação e importação fica alterado e o prejuízo decorrente é imediatamente sentido pela população consumidora, portanto caro leitor, os preços dessa commodity continuarão a subir enquanto durar o conflito e os países que não produzem irão necessitar cada vez mais utilizar suas reservas, com isso a inflação, que já vinha impactando os preços diretos e indiretos, vai continuar subindo influenciando toda a cadeia  produtiva e consumidora e o Brasil volta depois de anos a ter a taxa de juros básicos de 2 dígitos, coisa de 10,75 a.a. A duração do conflito vai determinar uma pressão cada vez maior na inflação.

LAERCIO GRIGOLLO   
CONSULTORIA EMPRESARIAL GRIGOLLO CONSULTING





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