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Após manifestações, suinocultores entregam pauta de reivindicações a secretaria da agricultura de SC

Entre as reivindicações, está a criação de linha especial para apoio imediato aos suinocultores.

Por Rafael Martini
01/04/2022 às 06h09 | Atualizada em 01/04/2022 - 08h05


Após as manifestações realizadas em Braço do Norte, no Sul do Estado na última terça-feira (29), o secretário de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Altair Silva, recebeu nesta quarta-feira, 30, o presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos, Losivanio Luiz de Lorenzi, uma pauta com demandas para suporte ao setor produtivo.

Entre as reivindicações dos produtores estão a criação de uma linha especial para dar um apoio imediato aos suinocultores. Segundo o presidente da Associação, Losivanio Luiz de Lorenzi, no último ano foi contabilizado um prejuízo de R$ 110 por suíno de 100 kg comercializado e este ano a situação é ainda mais preocupante.

"Nós precisamos mudar essa realidade urgentemente, o manifesto mostra isso. Essas medidas precisam ser colocadas em prática”, destaca. Hoje, os custos de produção chegam a R$ 8/kg de suíno, enquanto a comercialização gira em torno de R$ 4,70", observa.


Em contato com a reportagem da emissora, o presidente da ACCS falou sobre as principais demandas do setor apresentadas a secretaria da agricultura do estado.

"Apresentamos as pautas daquilo que tem a possibilidade de o governo estadual fazer, que é a compra de carne suína para os programas estaduais, com relação a presídios, as escolas na merenda escolar, enfim, que é uma alternativa. Sabemos da dificuldade que se tem de logística, às vezes em licitação, mas, tem que haver empenho para  alavancar o consumo de carne, que já é bom no estado, mas, sempre dá para melhorar, para tirar esse excedente de carne suína que nós temos sobrando e que está prejudicando muito o setor", relata.  

"Conversamos também sobre a redução da alíquota zero no imposto da carne suína na venda do consumidor final por 90 dias. Assim, vai baratear um pouco mais a carne, fazendo com que ela seja mais competitiva frente as outras, e que a gente consiga tirar esse excedente e, também, quando voltar o imposto que fique a 7%, porque está ventilando que o governo quer levar para 12%. Mas, isso é inadmissível, nós não podemos aceitar porque vai prejudicar cada vez mais as pessoas que estão perdendo o poder de compra pela inflação. Então,  nós temos que manter o nosso estado diferenciado e essa alíquota não pode ser aumentada lá na frente a mais que 7%", explica.

"Solicitamos também que seja liberado o crédito de ICMS ao produtor pessoa física. Atualmente, só é liberado para pessoa jurídica a compra de insumos para a propriedade. Todo o trabalho que a suinocultura independente faz juntamente com os frigoríficos e também os supermercados, toda a cadeia desse ciclo na contribuição de impostos ao governo, que seja disponibilizado uma linha de crédito específica, que o governo do estado pode fazer para pagamento de juro quando o produtor buscar algum financiamento, mas somente para produtores independentes, porque é o que mais estão sofrendo”, pontua.

"Nesse momento de dificuldade são as ações que o governo do estado pode fazer. O Altair Silva falou que estaria saindo da Secretaria da Agricultura, quem vai assumir é o adjunto Ricardo Mioto e, após isso, então na Assembleia Legislativa, ele irá levantar esse pleito com os demais deputados para que seja organizado uma comissão para discutir essa situação, mas, se comprometeram que na próxima semana irão buscar uma agenda com o governador para levarmos essas propostas e mostrar a realidade daquilo que está acontecendo no mercado”, finaliza.



"Nós sabemos dos desafios que a suinocultura independente vive no momento. Precisamos encontrar soluções, vamos trabalhar internamente, dentro do Governo do Estado, e juntos vamos buscar ferramentas para atender a demanda e minimizar esse momento tão difícil. A Secretaria da Agricultura é a casa do produtor rural e estamos atentos para atendermos aos suinocultores independentes", ressalta o secretário Altair Silva.

Os produtores pedem apoio também do Governo Federal com a criação de linhas de crédito especiais, renegociação de dívidas de custeio e investimentos e disponibilização de milho da Conab a preços mais acessíveis. O vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri, explica que outros setores que também dependem da ração para alimentação animal, como avicultura e bovinocultura, enfrentam dificuldades devido à alta nos custos de produção. "Os suinocultores precisam de um auxílio no curto prazo. Nosso grande problema hoje é o mercado interno, as vendas caíram drasticamente, assim como o poder de compra da população".

Também participaram da reunião o deputado estadual Volnei Weber; o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina (Fetaesc), José Walter Dresch; o prefeito de Braço do Norte, Beto Kuerten; o secretário municipal da Agricultura de Braço do Norte, Adir Engel; além de representantes dos produtores e lideranças da região Sul.

Suinocultura em Santa Catarina

Santa Catarina é o maior produtor e exportador de carne suína do Brasil, com acesso aos mercados mais competitivos do mundo. O estado conta com oito mil suinocultores, sendo que 15% trabalham de forma independente, ou seja, não participam do sistema de integração com as agroindústrias.
 
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Fonte: Com informações do portal suinocultura industrial





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