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LAERCIO GRIGOLLO: "​EM NOME DA GUERRA..."

Por Redação
02/04/2022 às 06h41 | Atualizada em 01/04/2022 - 18h14


A Rússia foi acusada nesta semana, na ONU, de causar uma crise alimentar mundial que pode levar a uma situação de fome ao atacar a Ucrânia e desencadear uma guerra entre duas potências na produção de grãos, fertilizantes e insumos agrícolas.  O impacto foi imediato numa economia que já vinha se ressentindo pela escassez provocada devido à pandemia. E agora, com a invasão da Ucrânia pela Rússia, os preços de itens básicos como pão, carne e óleos de cozinha deram um salto em todo o mundo provocando uma metástase pelos mercados de commodities e prejudicando ainda mais o sistema alimentar global, as cadeias de suprimentos.

Num giro pelas notícias mundiais, o caro leitor poderá perceber ações até de certa forma sui generis, ou sem semelhança com nenhum outro momento de crise. Na Índia,  por exemplo, os donos de restaurantes de beira de estrada estão reduzindo pela metade o uso de óleo  e mudando para lanches cozidos no vapor.  Os padeiros da Costa do Marfim querem reduzir o tamanho padrão de sua baguete. Os sanduíches das barracas de fast food dos EUA estão usando menos fatias de bacon e as pizzas vem com menos calabresa. 

Também aqui no Brasil o cenário ficou bastante crítico. Os alimentos e bebidas tiveram alta acumulada de 37%, os transportes em geral 38%, só a gasolina já aumentou 77%, o diesel mais de 40%, o etanol com 36%, o botijão de gás com 27,6% de aumento. A inflação, que fechou 2021 acima dos 10% e começou 2022 muito pressionada. O IPCA  subiu 1,01% em fevereiro que, na comparação com janeiro, é a maior variação para um mês de fevereiro desde 2015 , conforme dados do IBGE.

Mas essas previsões devem mudar e para pior por conta da Guerra na Ucrânia. Um dos impactos mais imediatos é no preço do trigo, um dos grãos mais importantes usados na alimentação do brasileiro. O Brasil é um importador desse produto, já que produz menos do que consome. Em 2021, o país produziu 7,7 milhões de toneladas e importou mais  6,2 milhões de toneladas, principalmente da Argentina. E, embora a importação direta da Rússia ou da Ucrânia, respectivamente o primeiro e o quarto maiores exportadores mundiais não seja relevante, o Brasil sentirá o efeito da alta nos preços por conta dos efeitos da guerra.

Segundo dados, os preços internacionais já subiram 20% desde o início do ano e tendem a subir ainda mais com a continuidade do conflito.  O milho é outra commodity que afeta a inflação, o produto já está com elevadas cotações no mercado internacional e qualquer aumento adicional vai pressionar ainda mais os custos dos produtores de carne. A Ucrânia é responsável por cerca de 16% das exportações mundiais de milho. Sem falar no impacto nos fertilizantes, onde a Rússia é o maior fornecedor desse produto para o Brasil.  Em 2021, o Brasil foi o sexto maior destino das exportações russas.

Este é exatamente o momento  que em nome da guerra se sugere um ambiente de contradições, oposições, crimes de todas as espécies que parecem justificar as ações humanas. O ilícito e o criminoso se aproveitam como hospedeiros do conflito e ampliam seus tentáculos. A insanidade derradeira contra a humanidade causa uma aflição sem medidas diante de uma consequente e paralela violência física e psicológica atribuída em nome da guerra. Em jogo uma disputa de como se deveria enxergar o mundo, nesse caso, pela força radical, violenta e agressora onde só posso acreditar que a razão humana é perversa. E em nome da guerra, todos sairemos perdedores...

LAERCIO GRIGOLLO   
CONSULTORIA EMPRESARIAL GRIGOLLO CONSULTING





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