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LAERCIO GRIGOLLO: ​"A INOCENTE CENOURA"

Por Redação
09/04/2022 às 11h01

​O tomate no ano passado, no ano anterior havia sido a vagem, o pimentão e o repolho, até o nem tanto preferido chuchu já foi protagonista desse mesmo filme que vem se repetindo ano após ano sempre com alguma “convincente” justificativa. Mesmo o conhecido trocadilho que define baixo preço, “a preço de banana”, perdeu seu sentido ao ver o propriamente dito preço da banana disparar, muito menos querer tentar entender sobre o mamão, a maçã ou a melancia.  Desse jeito, incessantemente, continua a tragédia na horta e agora é a vez da cenoura, a inocente cenoura do coelhinho, símbolo da tradição pascal, a principal vilã no aumento da inflação dos alimentos. E assim, sem saber dessa terrível consequência para os homens que zelam pela saúde com uma alimentação balanceada, colorida e correta, seguem as cenourinhas sua rotina de nascer, serem colhidas e comercializadas até chegarem  ao seu destino providencial que é alimentar esses homens, brasileiros que já sabem a duras penas que comer ficou ainda mais caro. 

Segundo o IPCA, Índice Nacional de Preços ao Consumidor, usado como base de cálculo da inflação, a alimentação foi o principal  gatilho do aumento no custo de vida. Na cesta de legumes, verduras e frutas, a cenoura subiu 45,65% em março, seguido do repolho com 29,68% e da abobrinha, com reajuste de 28,46%. E se a análise for dos últimos 12 meses, o resultado é ainda mais impressionante, a cenoura aumentou 121,64%, o tomate 66,36%, e o café moído 62,36%. O excesso de chuva nas regiões produtoras como o Centro oeste e o Sudeste prejudicou a qualidade dos produtos, diminuindo substancialmente a colheita de produtos considerados em condições comerciais. O impacto creditado para a guerra na Ucrânia vem dos combustíveis. O diesel, com uma alta acumulada de mais de 40%, está diretamente relacionado com a logística e o transporte destes produtos. O frete necessário para a distribuição nos centros de abastecimento em uma rede com milhares de quilômetros teve alta e o efeito foi imediato no preço final, para o consumidor. 

A comparação do valor da cesta em 12 meses mostrou que todas as capitais tiveram altas de preço com variações entre 11,99  até 29,44%. São Paulo foi a capital onde a cesta apresentou o maior custo, R$ 761,19 em março, no Rio de janeiro ficou em R$ 750,71, em Porto Alegre fechou março em R$ 734,28. Na capital catarinense, Florianópolis, o valor ficou em R$ 745,47, considerados os mais elevados do país.  Considerando este cenário, o salário mínimo necessário para manter uma família de 4 pessoas deveria estar na casa de R$ 6.394,00, ou seja, mais de 5 vezes o valor atual. A perda do poder de compra da população ocorre há tempos e é reflexo do aumento da inflação no país.   

Substituir marcas mais caras por outras mais baratas, consumir legumes, frutas e verduras da época ajudam a diminuir esse custo, algumas das alternativas que o brasileiro de classe média vem encontrando pois o preço da alimentação continuará flutuando e ainda pode ser mais afetado, ou  por  condições climáticas adversas, ou pela própria crise econômica internacional imposta pelo conflito na Ucrânia. O caro leitor conhece o jargão “laranja”.  Os chamados “laranjas” emprestam seu nome a alguém para ocultar coisas de origem ilícita ou incerta.   O fato é, caro leitor, que a expectativa comercial sempre trará um laranja para servir como bode expiatório e,nesse caso, a nossa inocente cenoura virou essa laranja, ao menos  até chegar outro capítulo desse filme que, passivos, continuamos a assistir.

LAERCIO GRIGOLLO   
CONSULTORIA EMPRESARIAL GRIGOLLO CONSULTING





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