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LAERCIO GRIGOLLO: ​OS VILÕES QUE A HORTA PRODUZ...

Por Redação
07/05/2022 às 06h07


Em tempos de dificuldades e crises na economia, a horta historicamente exerceu um papel de protagonismo para justificar o aumento da inflação, portanto a horta é um campo fértil e frequente de crises. Produz ali, naquele espaço físico, por vezes menor, outras bem maior, um grupo de vilões da economia. Os radicais nascidos na horta exercem quase sempre o papel principal de “puxar” a inflação para cima, que o diga a cenoura, tema de outro artigo que escrevi, assim como outros que já tiveram uma participação muito bem desempenhada como algozes da inflação e que vez ou outra voltam a cena como o tomate, a vagem, o pimentão, a batata e o chuchu.

Caro leitor, dessa vez falarei de mais um forte candidato ao “oscar” de melhor papel de vilão deste ano: a cebola. Sim, a cebola, uma das hortaliças mais utilizadas na composição dos temperos e receitas. É a base de muitos preparos e dá um toque especial ao sabor dos alimentos, mas engana-se quem pensa que a hortaliça tem basicamente esta função. A cebola, de acordo com os últimos dados de inflação do IBGE, subiu 10,5%  nos últimos 12 meses. Segundo o índice de preços da Ceasa-DF, o produto teve alta de 20,71% em abril, com relação a março desse ano. Um quilo de cebola no início de maio estava em média a R$ 6,00, seis reais. A cebola meu caro, é cruel!!! 

Para chegar aonde quero, caro leitor, também é importante dizer que ninguém vive só de cebolas assim como ninguém tem vital necessidade de ter estoques de cebola. Até por que ela é um produto perecível com tempo curto de vida. Mas com os preços em disparada, com a inflação pressionando o orçamento das famílias, o que tem se visto são atitudes muito anormais dos consumidores. A insegurança alimentar que já toma conta de parte da população consumidora demonstra uma situação desesperadora.

Os surpreendentes casos já não se originam apenas na escassez ou na alta dos preços dos vilões da horta. A briga por cebolas em um supermercado de Planaltina, no Distrito Federal, semana passada, mostra um país onde a pacata rotina de compras nos supermercados pode mudar em poucos instantes para um cenário até de violência em qualquer momento e por motivos absurdamente sem demanda. A cebola estava sendo foco de uma promoção na loja onde  dezenas de pessoas entraram numa disputa insana para comprá-la. Segundo publicação em vários jornais, houve gritos, tapas e empurrões e quem foi mais rápido conseguiu encher o carrinho de cebolas, oferecidas a R$ 0,99 o quilo...

Quando ambientes de promoção viram campo de guerra e as pessoas enlouquecem com os descontos é porque a situação está saindo de controle. Por um lado uma população de baixa renda que vê sua capacidade de compra encolher a cada dia, por outro uma população gananciosa que certamente buscava o produto por conta do lucro que teria revendendo a 5 ou 6 reais, preço da feira...O que resta ao brasileiro nestas circunstâncias de cidadão, que lembrem os senhores são cidadãos que devem exercer seu direito de votar!!!

Então, o que resta ao cidadão brasileiro?  Disputar uma oferta no supermercado de maneira desesperada como se luta pela vida e ao final, o que resta ao vencedor são somente cebolas!!!.  A cebola meu caro, é cruel!!!  Enquanto isso na horta, a vida continua...

LAERCIO GRIGOLLO   
CONSULTORIA EMPRESARIAL GRIGOLLO CONSULTING





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