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Análise

LAERCIO GRIGOLLO: "​CONVERSA PRA BOI DORMIR"



Por Redação
14/05/2022 às 06h14
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A Petrobras registrou um lucro líquido de 44,5 bilhões no primeiro trimestre deste ano, uma rentabilidade superior a 3.000% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita de vendas da empresa neste primeiro trimestre foi de 141,6 bilhões. A remuneração que será paga aos acionistas chegará a 101,4 bilhões, o maior patamar da história da estatal. A composição acionária da Petrobras tem a União Federal com uma parte de 28,67%, investidores estrangeiros com 24,20%, acionistas das categorias ordinária e preferenciais com 20,32%, demais pessoas jurídicas e físicas com 17,80%, outros acionistas tem entre 1 e 6%.   

O caro leitor pode fazer sua própria reflexão sobre uma situação que, convenhamos, se reverteu em tempo recorde considerando que entre 2020 e 2021 a Petroleira, já não tão brasileira, sob fortes efeitos da recessão provocada pela pandemia obteve resultados bastante menores, 1,3 bilhão no primeiro trimestre de 2021, para 44,5 bilhões no mesmo período de 2022. E que já vinha aos trancos e barrancos devido à roubalheira a que foi submetida ao longo destes últimos anos. No acumulado do ano, o lucro recorde foi atribuído, principalmente, à alta de 77% do preço do barril do petróleo e os maiores volumes de vendas, com melhores margens no diesel e na gasolina.

Sem dúvidas uma recuperação invejável, para orgulho de qualquer líder empresarial, não fosse o fato de que grande parte desse resultado tenha se consolidado na forma de repasse do rombo acumulado para os usuários e para a população em geral, pois mesmo quem não tem veículo próprio,  paga e continua pagando uma salgada conta pelo reflexo que o preço dos combustíveis gera nos demais produtos de consumo básico, ou seja, mesmo quem não tem vínculo direto com combustíveis de alguma forma paga a conta.

Também tenho que avaliar a respeito do preço dos combustíveis em relação a outros países, sim, sempre há quem compare isso e é importante que se faça. O combustível brasileiro não é o mais caro comparado com alguns outros países, estamos num ranking mediano, entretanto, diante da condição econômica do Brasil, isso deixa as famílias, especialmente as de baixa renda  em condições cada vez piores na sua capacidade de compra, o aperto no orçamento das famílias resulta num aumento considerável de pessoas que tem extrema dificuldade até de acesso aos alimentos básicos. O real perdeu seu valor e nunca é a mesma medida que determina o reajuste do custo de vida,  o reajuste dos salários dos trabalhadores comparando com o reajuste destas commodities.

Enfim caro leitor, o cenário posto em síntese é esse, no ano passado a Petrobras realizou treze reajustes no preço da gasolina e do diesel. Neste ano, foram dois iniciais na gasolina e o terceiro no diesel.  Em março, a estatal elevou o preço da gasolina para quase 19% e o do diesel para 25%.  E na semana passada, a Petrobras anunciou mais um reajuste de 8,87% no preço do diesel para as distribuidoras. Em suma, os custos para produzir gasolina e diesel no Brasil não mudaram, o único custo que aumentou foi o de pagamento de participações para os acionistas, um lucro líquido de 106 bilhões e a distribuição de dividendos de 100 bilhões mostra  que todas as outras explicações são conversa pra boi dormir.

Tenho perfeita clareza que todas as empresas tem como princípio fundamental “ dar lucro”, ou resultado positivo como queiram, isso é ser uma empresa com responsabilidade social, transparente e correta nas suas políticas, mas também tenho clareza suficiente para dizer que esse resultado significativo da Petrobras é a chamada receita ruim, pela condição que deixa a população do país.

LAERCIO GRIGOLLO   
CONSULTORIA EMPRESARIAL GRIGOLLO CONSULTING




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