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Indústria concordiense de reciclagem é pioneira no Brasil

Toneladas de papel e plástico são reciclados e comercializados em todo o país

Por Simone Vieira
22/05/2022 às 06h00


Muito se fala sobre políticas de preservação da natureza pelas empresas, sustentabilidade, reciclagem, mas qual a porcentagem das empresas que realmente estão preocupadas com a destinação correta dos resíduos que produz? 

Concórdia possui uma indústria pioneira no Brasil pela variedade de papeis e plásticos que consegue reciclar. A Biega Papéis Indústria de Celulose Reciclada, criada em 2013 pelos irmãos Biegalski, Ronei Antônio, Mateus José e Carla Salete, retira toneladas e mais toneladas de papéis e plásticos que iriam para os aterros sanitários de todo o país e transformam em matéria-prima para indústrias. 

Com unidades espalhadas em várias partes da cidade, a indústria possui um sofisticado sistema de reciclagem que faz a recuperação de fibras celulósicas, oriundas de todas as empresas que geram papéis de difícil desagregação. Através de processos químicos e físicos, ocorre a remoção das impurezas e se mantem a qualidade da fibra. 

A indústria compra toneladas de papéis de descarte de multinacionais como Ambev, Kimberly-Clark, Johnson & Johnson, gráficas, entre outros. O resíduo de papel gerado por essas indústrias é comprado pela Indústria Biega, que transforma em celulose, convertido em papel.  

Hoje a Indústria concordiense é referência no Brasil em uso de resíduos de difícil desagregação. Gera muitos postos de trabalho, tributos, retira da natureza toneladas de lixo que iria para aterros, recicla esse material e vende para grandes indústrias no país. Estas transformam essa fibra em papel toalha, papel higiênico, papel kraft que serve para fabricação de caixas, sacolas, envelopes, entre outras destinações. 

São mais de 2 milhões de quilos de celulose reciclada úmida por mês. Conforme os irmãos, “segundo o instituto Akatu, 1 kg de celulose virgem consome cerca de 540 litros de água em seu processo, isso significa que a Biega economiza para o meio ambiente cerca de 270 milhões de litros de água e mais de 33 mil árvores por mês”.

Para os irmãos, “esse material iria parar em aterros sanitários gerando impacto ambiental que compromete os recursos naturais, visto que, muitos papéis possuem agentes químicos. Adquirimos hoje mais de 1.000 toneladas por mês de matérias que seriam descartadas na natureza e mais de 150 mil quilos de plástico por mês. O planeta não dispõe de recursos ilimitados, precisamos criar a cultura da reciclagem. Quase todas as embalagens que utilizamos no dia a dia podem ser recicladas. Material reciclado faz baratear os custos das indústrias produtoras e diminuir o custo para o consumidor final”. 

Os empresários afirmam que ainda é necessário incentivos fiscais, tributários para as indústrias nesse setor. “A melhor tecnologia empregada nesse setor vem da França, Suíça, Alemanha. Ainda não há no país um incentivo para as indústrias que operam nesse sistema e necessitam investir cada vez mais na recuperação desse material descartado. Somente com bons processos, sistemas e tecnologia é possível entregar um material de qualidade para as indústrias no país”.  

Na planta fabril de Concórdia são utilizados todos os tipos de papéis, ou seja, papel liner branco ou colorido, papel filtro, papel kraft, papelão, papéis gráficos, palmilhas de papel, papel toalha com ou sem RU (resistência à umidade), papel cartão, dentre outros.


Renda extra com reciclados

A indústria possui duas frentes, a primeira com compra de descartes das grandes multinacionais  que funciona próximo ao Pórtico de entrada da cidade de Concórdia e a segunda, em Fragosos, próximo a Casa do Malte. Nesta, chamada de Miss Papéis, catadores, gráficas, supermercados, condomínios entregam de forma separada  e limpa, materiais reciclados, papel e plástico. 

Para os empresários, neste local ocorre a recepção de materiais entregues por pessoas físicas e jurídicas. “Nossa indústria paga um percentual a mais para os catadores porque eles já entregam, separadamente e limpos, os vários tipos de papéis e plásticos. Ocorre a separação, prensa, armazenamento e venda desse material. Cerca de 70% dos catadores de Concórdia vendem esse material para a  Miss Papéis”. 

Conforme relatam os entrevistados, existem catadores que chegam a faturar mensalmente mais de R$ 30 mil reais (bruto). Existem empresas, gráficas, supermercados que faturam até R$ 15 mil reais por mês (bruto) com a venda de materiais que podem ser reciclados. Conforme a qualidade do papel é o valor pago por quilo.  

Cultura de separação e reciclagem 

A cultura da separação do lixo nas residências e nas empresas precisa ser criada com muito urgência. Os recursos naturais não são ilimitados e temos o dever de deixar um planeta melhor para as futuras gerações. A separação dos materiais é de extrema importância, faça, incentive, conscientize. 

Conheça Mais

Se o seu condomínio, empresa, gráfica deseja comercializar os papéis limpos e separadamente, materiais plásticos, dúvidas podem ser esclarecidas através do telefone:  (49)  3442-9049. 

Acesse o site  da Indústria Biega e conheça mais sobre o assunto. 






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