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LAERCIO GRIGOLLO: NO “FIO DO BIGODE”...



Por Redação
12/06/2022 às 06h26
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O caro leitor daqueles nostálgicos tempos deve lembrar que ser merecedor de confiança era o maior crédito que uma pessoa possuía. Ficar devendo, negar as contas, não cumprir compromissos acordados ou prometidos era motivo de vergonha diante de si e perante uma comunidade acostumada com a cultura de fazer negócios, acordos e contratos “ no fio do bigode”. Até porque, perder essa condição de crédito, deixava a pessoa numa situação de desconfiança na sociedade onde vivia. Nestes tempos não tão remotos, as relações contratuais e as de consumo eram mais pessoais. Cada pessoa carregava uma imagem boa ou ruim, de imagem ruim em relação aos compromissos eram poucos e consequentemente de fama bem conhecida, de imagem boa eram muitos, pois era questão de honra ter seu nome bem falado na sociedade.

A palavra valia tanto quanto um fio do bigode. Pois homem que era homem, usava bigode e para usá-lo tinha que honrar essa condição de homem. Tinha que ser cumpridor de seus compromissos, custasse o que custasse. Tinha que ter na cara, além da barba, vergonha.  No fio do bigode significava uma confiança recíproca entre os negociantes, vendedor e comprador, que em certos momentos dispensava formalidades contratuais e garantias registradas para que os negócios fossem feitos.  Fio do bigode era a boa fé, as melhores intenções diante dos compromissos de qualquer natureza. Predominava nessa geração valores como a honestidade e a honra e ser íntegro era como uma filosofia de vida.

O leitor pode estar refletindo, mas essa condição está sendo colocada no passado, quer dizer que hoje não existem mais honestos, íntegros e pessoas honrosas  afim de ainda acontecerem negócios no fio do bigode?  Posso lhe garantir, meu caro, que existe, mas é uma raridade quase que extinta.  A própria natureza dos negócios com o passar do tempo provocou o fenômeno da globalização e a massificação das relações, tornou os negócios cada vez mais impessoais obrigando  a necessidade das formalizações, contratos cada vez mais vinculados ao Código civil e as leis de proteção ao consumidor. O fio do bigode foi ficando um hábito do passado. Porém, ser merecedor de confiança e ter uma conduta ética ainda é atualmente uma condição diferenciada para uma parcela da sociedade.

Entretanto, quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco da  decepção  é grande. Quem, nessa trajetória da vida, não teve tais decepções, em casa, no trabalho, no grupo de amigos, nos negócios? A confiança ainda é o fator mais importante para que um relacionamento em qualquer contexto seja bem sucedido, essa confiança é uma característica da personalidade e pode ser entendida como acreditar, estar seguro ou ter certeza sobre algo, ou alguém. Confiança, boa fé, no fio do bigode, ou como queiram denominar esses atributos de caráter,  apesar de serem antigos valores que norteiam ou deveriam nortear a conduta dos homens, hoje estão em falta,  causando um verdadeiro estrago nas relações pessoais ou de negócios.

E nesse contexto, caro leitor, encontram-se a grande maioria dos políticos sorrateiros, interesseiros, representantes do crime organizado ou de grupos econômicos que não tem como manter os compromissos assumidos com a população, no fio do bigode,  porquê em cara de pau não nasce bigode. Porquê não tem vergonha nem de sí muito menos da sociedade, são as grandes decepções populares porém com uma básica diferença, nos tempos passados, talvez, seriam julgados e punidos por esse tribunal do povo e hoje vivem as soltas com sua missão de tornar a vida do cidadão cada vez pior...   

LAERCIO GRIGOLLO -  Privacy and Data Protection Níveis Essentials & Foundation  
CONSULTORIA EMPRESARIAL GRIGOLLO CONSULTING




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