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Justiça
Filha de Claudia e Valdemir presta depoimento emocionada e revela histórico de conflitos familiares
Gabriela Hoeckler, de 25 anos, foi a última testemunha ouvida no julgamento da mãe.
A oitiva ocorreu na noite desta quinta-feira (28), no plenário da Câmara de Vereadores de Capinzal, onde acontece o júri popular. Outras duas testemunhas estavam previstas, mas não compareceram. O depoimento de Gabriela teve início por volta das 20h30 e se estendeu até quase 22h, antecedendo o interrogatório da ré, que responde por homicídio duplamente qualificado — por meio cruel e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
"Era eu ou ele", teria dito Claudia após confissão
Gabriela relatou que só soube da morte do pai após a confissão da mãe. “Ela me disse: ‘era eu ou ele’”, revelou, ao explicar que Claudia teria cometido o ato para protegê-la. Durante o depoimento, a jovem disse que jamais suspeitou que o corpo do pai estivesse escondido no freezer da residência.
Infância marcada por medo e conflitos
Gabriela descreveu um ambiente familiar instável, com lembranças confusas da infância. Disse que morava apenas com a mãe e sentia a ausência do pai, que, segundo ela, aparecia esporadicamente e a levava para conhecer irmãos de outros relacionamentos, o que a deixava confusa.
Aos sete anos, Valdemir passou a morar com mãe e filha, o que causou desconforto. Gabriela afirmou que sentia vergonha da presença do pai em casa, a ponto de evitar até o uso do banheiro. Com a convivência, vieram os conflitos. Relatou brigas constantes, objetos quebrados, e momentos em que mãe e filha precisaram sair de casa para fugir das discussões.
Prisões e contrabando
Segundo o depoimento, Valdemir fazia viagens frequentes ao Paraguai. No início, trazia brinquedos e eletrônicos, mas depois passou a transportar cigarros contrabandeados. Gabriela relatou que o pai foi preso diversas vezes, e que sua mãe chegou a substituí-lo em algumas viagens. Revelou também ter presenciado uma grande operação policial contra o contrabando, o que a marcou profundamente.
Gabriela contou que, após as prisões, passou a rejeitar a presença do pai em casa, alegando que antes disso, a mãe não se envolvia com atividades ilícitas.
Controle e agressividade
Entre os episódios mais duros narrados por Gabriela, estão relatos de autoritarismo e humilhações por parte de Valdemir. Em um deles, ela disse ter pedido para ir ao banheiro durante uma ordenha e o pai negou, mandando que usasse uma pá. Em outro momento, antes de um café colonial, discutiu com o pai por causa de uma saia. Ele a chamou de “vagabunda” e, no dia seguinte, cortou a peça em pedaços, ordenando que não o desobedecesse novamente.
A jovem ainda contou que o pai ameaçou Claudia em certa ocasião, dizendo que a denunciaria por furto para que perdesse a guarda da filha, caso não voltasse para casa.
Independência negada e desigualdade entre os filhos
Gabriela começou a trabalhar aos 14 anos em busca de independência, o que não era bem visto por Valdemir. Apesar de receber o salário em mãos, descobriu que a conta conjunta onde o pai alegava depositar o dinheiro estava zerada.
Ela também falou sobre a diferença de tratamento entre os filhos: enquanto irmãos recebiam motos e auxílio com aluguel, ela não contava com apoio do pai para pagar a faculdade, cuja mensalidade era de R$ 1.400. O pouco que tinha, vinha da mãe.
Depressão, psicoterapia e ausência no casamento dos pais
Em 2019, Gabriela começou a fazer acompanhamento psicológico, relatando estresse e dificuldade de convivência com o pai. Contou ainda que não foi convidada para o casamento dos pais, em setembro daquele ano, e soube do evento por terceiros.
Sobre o desaparecimento de Valdemir, disse ter achado que era mais uma briga e não suspeitou da gravidade. Afirmou que sentia medo de que, se fosse o contrário — se Valdemir tivesse matado Claudia —, ela mesma estaria em risco.
Oitiva encerrada sem perguntas da acusação
Após o extenso depoimento, a defesa encerrou a oitiva e a acusação optou por não fazer perguntas, em respeito à testemunha. Gabriela foi ouvida com atenção e silêncio absoluto pelo plenário.
O júri, que teve início na quinta-feira (28), foi suspenso temporariamente após Claudia passar mal durante o próprio depoimento, e será retomado na manhã desta sexta-feira (29), às 8h30min, no mesmo local. A expectativa é de que haja a apresentação das alegações finais e, posteriormente, a decisão do corpo de jurados.
Fonte: Créditos: Informações - Gabriel Leal/Capinzal FM
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