NOTÍCIAS



Justiça

Filha de Claudia e Valdemir presta depoimento emocionada e revela histórico de conflitos familiares


Gabriela Hoeckler, de 25 anos, foi a última testemunha ouvida no julgamento da mãe.

Por Rafael Martini
29/08/2025 às 05h43 | Atualizada em 29/08/2025 - 15h31
Compartilhar


Em um depoimento comovente e repleto de revelações sobre a convivência familiar, Gabriela Hoeckler, de 25 anos, foi a décima e última testemunha ouvida no julgamento de sua mãe, Claudia Tavares Hoeckler, acusada de matar o marido Valdemir Hoeckler e ocultar o corpo em um freezer, no interior de Lacerdópolis, em novembro de 2022.

A oitiva ocorreu na noite desta quinta-feira (28), no plenário da Câmara de Vereadores de Capinzal, onde acontece o júri popular. Outras duas testemunhas estavam previstas, mas não compareceram. O depoimento de Gabriela teve início por volta das 20h30 e se estendeu até quase 22h, antecedendo o interrogatório da ré, que responde por homicídio duplamente qualificado — por meio cruel e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

"Era eu ou ele", teria dito Claudia após confissão

Gabriela relatou que só soube da morte do pai após a confissão da mãe. “Ela me disse: ‘era eu ou ele’”, revelou, ao explicar que Claudia teria cometido o ato para protegê-la. Durante o depoimento, a jovem disse que jamais suspeitou que o corpo do pai estivesse escondido no freezer da residência.

Infância marcada por medo e conflitos

Gabriela descreveu um ambiente familiar instável, com lembranças confusas da infância. Disse que morava apenas com a mãe e sentia a ausência do pai, que, segundo ela, aparecia esporadicamente e a levava para conhecer irmãos de outros relacionamentos, o que a deixava confusa.

Aos sete anos, Valdemir passou a morar com mãe e filha, o que causou desconforto. Gabriela afirmou que sentia vergonha da presença do pai em casa, a ponto de evitar até o uso do banheiro. Com a convivência, vieram os conflitos. Relatou brigas constantes, objetos quebrados, e momentos em que mãe e filha precisaram sair de casa para fugir das discussões.

Prisões e contrabando

Segundo o depoimento, Valdemir fazia viagens frequentes ao Paraguai. No início, trazia brinquedos e eletrônicos, mas depois passou a transportar cigarros contrabandeados. Gabriela relatou que o pai foi preso diversas vezes, e que sua mãe chegou a substituí-lo em algumas viagens. Revelou também ter presenciado uma grande operação policial contra o contrabando, o que a marcou profundamente.

Gabriela contou que, após as prisões, passou a rejeitar a presença do pai em casa, alegando que antes disso, a mãe não se envolvia com atividades ilícitas.

Controle e agressividade

Entre os episódios mais duros narrados por Gabriela, estão relatos de autoritarismo e humilhações por parte de Valdemir. Em um deles, ela disse ter pedido para ir ao banheiro durante uma ordenha e o pai negou, mandando que usasse uma pá. Em outro momento, antes de um café colonial, discutiu com o pai por causa de uma saia. Ele a chamou de “vagabunda” e, no dia seguinte, cortou a peça em pedaços, ordenando que não o desobedecesse novamente.

A jovem ainda contou que o pai ameaçou Claudia em certa ocasião, dizendo que a denunciaria por furto para que perdesse a guarda da filha, caso não voltasse para casa.

Independência negada e desigualdade entre os filhos

Gabriela começou a trabalhar aos 14 anos em busca de independência, o que não era bem visto por Valdemir. Apesar de receber o salário em mãos, descobriu que a conta conjunta onde o pai alegava depositar o dinheiro estava zerada.

Ela também falou sobre a diferença de tratamento entre os filhos: enquanto irmãos recebiam motos e auxílio com aluguel, ela não contava com apoio do pai para pagar a faculdade, cuja mensalidade era de R$ 1.400. O pouco que tinha, vinha da mãe.

Depressão, psicoterapia e ausência no casamento dos pais

Em 2019, Gabriela começou a fazer acompanhamento psicológico, relatando estresse e dificuldade de convivência com o pai. Contou ainda que não foi convidada para o casamento dos pais, em setembro daquele ano, e soube do evento por terceiros.

Sobre o desaparecimento de Valdemir, disse ter achado que era mais uma briga e não suspeitou da gravidade. Afirmou que sentia medo de que, se fosse o contrário — se Valdemir tivesse matado Claudia —, ela mesma estaria em risco.

Oitiva encerrada sem perguntas da acusação

Após o extenso depoimento, a defesa encerrou a oitiva e a acusação optou por não fazer perguntas, em respeito à testemunha. Gabriela foi ouvida com atenção e silêncio absoluto pelo plenário.

O júri, que teve início na quinta-feira (28), foi suspenso temporariamente após Claudia passar mal durante o próprio depoimento, e será retomado na manhã desta sexta-feira (29), às 8h30min, no mesmo local. A expectativa é de que haja a apresentação das alegações finais e, posteriormente, a decisão do corpo de jurados.


Fonte: Créditos: Informações - Gabriel Leal/Capinzal FM




SEJA O PRIMEIRO A COMENTAR




VEJA TAMBÉM