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Justiça

STF revoga prisão preventiva de mulher condenada por homicídio e ocultar corpo em freezer


Recurso de apelação deve ser julgado em fevereiro de 2026

Por Rafael Martini
13/01/2026 às 10h07
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A reportagem da Capinzal FM obteve novas informações sobre o caso de Claudia Fernanda Tavares, condenada em agosto deste ano a 20 anos de prisão pelo homicídio do companheiro, Valdemir Hoeckler, de 52 anos. O crime ocorreu em 2022, no interior do município de Lacerdópolis, no Meio-Oeste catarinense, e teve ampla repercussão em toda a região.

De acordo com o advogado de defesa, Matheus Molin, uma decisão proferida no dia 19 de dezembro pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou a prisão preventiva de Claudia, permitindo que ela aguarde o andamento do processo em liberdade. A decisão foi tomada a partir de um Habeas Corpus impetrado pela defesa no mês de maio, que questionava a legalidade da determinação que restabeleceu a prisão preventiva da ré.

Segundo Molin, o entendimento do STF reconhece que Claudia não deveria ter permanecido presa durante o curso do processo. No entanto, a decisão não tem efeito imediato, uma vez que ela já foi condenada pelo Tribunal do Júri, o que mantém, por ora, a situação definida na sentença até nova manifestação do Poder Judiciário.

A defesa ressalta que, ao longo de todo o processo, Claudia teria colaborado com as autoridades, comparecido sempre que intimada e cumprido rigorosamente todas as determinações judiciais. Conforme o advogado, ela respondeu ao julgamento sem descumprir qualquer medida legal imposta pela Justiça.
“Claudia jamais deveria ter sido presa no curso do processo e deveria ter aguardado o julgamento em liberdade. Caso essa decisão tivesse sido tomada antes, com certeza o julgamento teria tomado outros rumos, ou quem sabe a Claudia ainda nem teria sido julgada pelo Tribunal do Júri da Comarca de Capinzal”, afirmou Molin.

Em nota oficial, os advogados informaram que o recurso de apelação já foi interposto e tem previsão de julgamento para fevereiro de 2026. Até lá, o processo segue em fase recursal, aguardando nova análise das instâncias superiores da Justiça. A defesa afirma manter a convicção de que Claudia será submetida a um novo julgamento, com a reapreciação dos fatos sob critérios considerados mais justos e equilibrados.

Relembre o caso

O município de Lacerdópolis, com pouco mais de 2.200 habitantes, teve sua rotina profundamente abalada em 19 de novembro de 2022, quando o corpo de um homem, dado como desaparecido havia cinco dias, foi encontrado pela Polícia congelado dentro do freezer da própria residência. A vítima estava com os pés e as mãos amarrados, escondida sob alimentos e bebidas, fato que chocou a comunidade, que não registrava um homicídio há cerca de 30 anos.

No mesmo dia em que o corpo foi localizado, Claudia publicou um vídeo nas redes sociais confessando o assassinato, alegando que sofria violência doméstica. Contudo, as investigações apontaram para outra versão, com relatos de pessoas próximas indicando que o casal mantinha uma convivência harmoniosa, além de mensagens trocadas entre os dois que reforçavam essa percepção.

O Ministério Público de Santa Catarina denunciou Claudia por homicídio qualificado, pelo recurso que dificultou a defesa da vítima e por asfixia. Conforme a acusação, ela teria dopado o companheiro com medicamentos, amarrado seus pés e mãos e colocado uma sacola plástica em sua cabeça, provocando a morte. Ela também foi denunciada por ocultação de cadáver e falsidade ideológica, já que escondeu o corpo e comunicou o desaparecimento às autoridades para tentar confundir as investigações.

Após confessar o crime, Claudia foi presa preventivamente, chegou a obter o direito de responder ao processo em liberdade, mas voltou à prisão em maio deste ano após um recurso especial interposto pelo Ministério Público. Durante o julgamento, dez testemunhas foram ouvidas, incluindo um amigo da vítima e um policial militar que participou das buscas e encontrou o corpo no freezer, ambos bastante emocionados ao relatarem os fatos.

A defesa sustentou, durante o júri, que Claudia foi vítima de violência doméstica ao longo de cerca de 20 anos de relacionamento e que o crime ocorreu nesse contexto. Valdemir Hoeckler convivia com a ré há 23 anos e havia formalizado a união com ela há apenas 40 dias. Ele deixou mãe, filhos, irmãos e netos.


Fonte: Com informações da Rádio Capinzal.




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