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OPERAÇÃO SILÊNCIO
Manda quem pode, obedece quem terá mais prejuízo. É a tese que permeia a ordem de manter poder.
Ainda mais grave foi a decisão de retirar das mãos da Polícia Federal o material apreendido na operação envolvendo o Banco e encaminhá-lo diretamente à Procuradoria-Geral da República, lacrado, antes de qualquer outro procedimento, a atitude soa menos como zelo institucional e mais como um gesto de desconfiança preventiva. Em um país acostumado a discursos inflamados sobre transparência e respeito às instituições, o ato chama atenção não pelo que explica, mas pelo que silencia.
A Polícia Federal, goste-se ou não de seus resultados, é o órgão constitucionalmente empoderado para conduzir investigações dessa natureza, com rito, técnica e cadeia de custódia bem definidos. Interromper esse fluxo natural levanta uma pergunta incômoda: desde quando o trabalho rotineiro da PF passou a ser visto como um risco a ser contido? Quando ministros do Supremo entram em cena para redirecionar provas, o que deveria ser normal passa a parecer exceção cuidadosamente controlada.
O argumento formal pode até ser o de preservar o material ou evitar vazamentos, mas a simbologia política é devastadora. Se não há envolvimento, temor ou interesse cruzado, por que o receio em permitir que a investigação siga seu curso habitual? A blindagem antecipada das provas não transmite serenidade, transmite nervosismo. E nervosismo institucional, em democracia, costuma ser um péssimo sinal.
No fim, o gesto alimenta exatamente o que diz querer evitar: suspeitas. Ao invés de fortalecer a confiança no sistema de justiça, reforça a percepção de que há uma camada de proteção especial para certos temas, pessoas ou instituições. E quando o Supremo parece mais preocupado em controlar o caminho das provas do que em garantir a autonomia de quem investiga, a pergunta a ser silenciada não é jurídica mas política e profundamente incômoda: afinal, o que exatamente eles temem?
Fonte: LAERCIO GRIGOLLO CONSULTORIA EMPRESARIAL
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