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Fim da baliza na CNH gera debate sobre qualidade da formação de motoristas


Para o vice-presidente do Detran/SC, medida pode representar risco à segurança viária

Por Rafael Martini
03/02/2026 às 08h45
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As recentes mudanças nas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), que incluem o fim da prova de baliza e de manobras em ladeira como etapas obrigatórias do exame prático, têm provocado discussões em todo o país. A alteração foi implementada pelo Governo Federal, por meio da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), e formalizada em resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), com o objetivo de reduzir custos e ampliar o acesso da população à habilitação.

Entre as flexibilizações estão também a redução de horas-aula obrigatórias e mudanças nas exigências de aulas noturnas. Um manual que orienta o exame de direção veicular passou a nortear as avaliações práticas e, nele, não constam mais a baliza e as manobras em declive.

Em entrevista à reportagem da Rádio Rural, o vice-presidente do Detran de Santa Catarina, coronel Ricardo Alves, manifestou preocupação com os impactos das mudanças na formação dos condutores. Segundo ele, a retirada dessas etapas representa uma perda importante no processo de avaliação.

“O estacionamento em vaga delimitada e a saída em ladeira não são detalhes. São manobras que avaliam coordenação, controle do veículo, noção de espaço e segurança em situações reais do trânsito. A retirada disso é um grave retrocesso na formação de condutores”, afirmou.

O coronel destaca que, embora existam veículos mais modernos com sensores e assistentes de estacionamento, a maior parte da frota brasileira ainda não conta com esses recursos. “O condutor precisa desenvolver habilidades. Dirigir exige competência. A habilitação não é apenas um direito, é uma permissão que atesta que a pessoa tem condições de estar ao volante”, pontuou.

Outro ponto levantado é que a baliza historicamente figurava entre os principais motivos de reprovação nos exames, gerando ansiedade nos candidatos. Para o vice-presidente do Detran/SC, porém, a dificuldade fazia parte do processo de garantir preparo mínimo ao motorista. “Facilitar não é educar. Quando se reduz o nível de avaliação, fragiliza-se a formação do novo condutor e aumenta-se o risco para pedestres, ciclistas e demais usuários da via”, alertou.

Ricardo Alves avalia que, em um cenário de alto índice de violência no trânsito brasileiro, a prioridade deveria ser o fortalecimento da educação e da qualificação dos motoristas. “Quando se torna a habilitação mais acessível e barata sem critérios técnicos bem definidos, podemos colocar vidas em perigo. A segurança viária precisa estar no centro das decisões”, concluiu.

As mudanças seguem em vigor em todo o país, enquanto especialistas e órgãos de trânsito acompanham os possíveis reflexos na qualidade da condução e nos índices de sinistros nas vias brasileiras.


Fonte: SERGINHO PRIMAM




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