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Agropecuária

Preço do suíno recua no início de fevereiro, mas setor mantém expectativa de ano positivo em SC


Após queda de R$ 6,80 para R$ 6,65, ACCS avalia movimento como sazonal e aposta em recuperação.

Por Rafael Martini
03/02/2026 às 11h35 | Atualizada em 03/02/2026 - 11h44
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O preço do suíno na integração registrou recuo no início de fevereiro em Santa Catarina. No dia 2, o valor pago ao produtor passou de R$ 6,80 para R$ 6,65 o quilo. Apesar da baixa, o setor mantém uma avaliação otimista para 2026, considerando o comportamento histórico dos preços, o desempenho das exportações e a perspectiva de custos de produção controlados.

De acordo com o presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, o início de ano tradicionalmente apresenta maior pressão sobre os valores pagos ao produtor. “A gente sempre sabe que janeiro é um mês mais crítico, que tudo depende das vendas de final de ano e do consumo no início do ano. Historicamente, o preço não se mantém e acaba caindo em janeiro ou início de fevereiro”, explica.

Mesmo com a retração recente, o cenário é melhor que o observado no ano passado. Segundo Lorenzi, em janeiro do ano anterior o preço estava em R$ 6,55, abaixo do valor atual. Ele lembra ainda que o pico de valorização ocorreu em 25 de agosto, quando o quilo subiu para R$ 6,80, patamar que se manteve por cinco meses. A média de 2025 na integração ficou em R$ 6,71 por quilo.

No mercado independente, a média de comercialização foi de R$ 8,36 por quilo, com custo de R$ 6,34, garantindo margem positiva ao produtor. “Foi uma margem que ajudou a pagar as contas depois de uma crise muito forte. O ano passado foi de recuperação do setor”, afirma.

Entre os fatores que contribuíram para a melhora de preços, o presidente da ACCS destaca a estabilidade da produção. Juros elevados limitaram grandes investimentos em ampliação de plantel, enquanto produtores buscaram ganhos de produtividade e reposição de matrizes para recompor granjas.

As exportações também tiveram papel importante. O Brasil embarcou 1,51 milhão de toneladas de carne suína, com Santa Catarina respondendo por cerca de metade desse volume. O México ampliou as compras em 34 mil toneladas, o Japão em 21 mil e a Argentina em 8 mil. Por outro lado, a China reduziu as importações em 23 mil toneladas.

A média de preço foi de 2.550 dólares por tonelada. Com o dólar médio de R$ 5,59 no período, a comercialização ficou em torno de R$ 14.260 por tonelada. Esse desempenho colocou o Brasil como terceiro maior exportador mundial de carne suína, ultrapassando o Canadá.

“Santa Catarina continua com diferencial sanitário e acessando mercados exigentes como Japão e México. Isso mostra a pujança da suinocultura brasileira e catarinense”, ressalta Lorenzi.

Para os próximos meses, a expectativa é de recuperação nos preços. “O que era para cair, eu acredito que já caiu. Não vejo mais motivo para novas quedas. A partir do final de fevereiro e março devemos ter recuperação”, projeta.

O dirigente cita ainda que a oferta de grãos tende a ser recorde, com clima favorável, o que ajuda a manter os custos estáveis. Entre os pontos de atenção para o ano estão o ambiente eleitoral e o chamado risco Brasil, mas há também fatores que podem estimular o consumo, como a Copa do Mundo.

Outro elemento positivo é a valorização da carne bovina, que pode tornar a carne suína mais competitiva ao consumidor. O consumo per capita no Brasil chegou a 20,2 quilos no último ano. “A carne suína é uma proteína de excelência e tem ganhado espaço. Acreditamos que é a vez dela crescer ainda mais e trazer resultado ao produtor”, conclui o presidente da ACCS.




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