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Economia

FIESC manifesta preocupação com proposta de fim da escala 6x1 e alerta para impactos na indústria


OUÇA: Vice-presidente defende mais debate e diz que mudança pode elevar custos e afetar empregos

Por Rafael Martini
13/02/2026 às 08h16 | Atualizada em 13/02/2026 - 09h39
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A proposta que tramita no Senado Federal e prevê mudanças na jornada de trabalho, incluindo o fim da escala 6x1, tem gerado debates entre representantes do setor produtivo. Em entrevista à reportagem da Rádio Rural, o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) para o Alto Uruguai Catarinense, Álvaro Luís de Mendonça, manifestou preocupação com os possíveis efeitos da medida sobre as empresas e o mercado de trabalho.

Segundo ele, a discussão precisa ser feita de forma “prática” e com análise dos reflexos econômicos. Mendonça afirma que a indústria já enfrenta dificuldades para contratar trabalhadores. “Hoje já temos dificuldade de mão de obra. Estamos buscando trabalhadores de outras regiões do Brasil e também de outros países para suprir a demanda”, comentou.

Na avaliação do dirigente, uma eventual redução de jornada sem redução proporcional de salários tende a elevar o custo das empresas. “O salário não é o único custo. Sobre ele incidem encargos que aumentam bastante o valor final para o empregador. Se reduzir jornada sem mexer nisso, o custo aumenta”, disse.

Ele cita ainda estudos elaborados pela própria federação. “A FIESC, por meio do Observatório, fez um estudo aprofundado e se posicionou de forma contrária à redução neste momento. O entendimento é que não é hora e que o tema precisa ser mais discutido”, destacou.

Mendonça também avalia que setores com funcionamento contínuo, como supermercados e indústrias com turnos, podem sentir impactos mais imediatos. “São áreas que empregam muita gente e precisam de escala de trabalho para funcionar todos os dias”, observou.

Durante a entrevista, o vice-presidente defendeu que o debate sobre qualidade de vida do trabalhador deve vir acompanhado de mudanças estruturais. “O que o país precisa é de uma reforma que reduza encargos sobre a folha de pagamento. Hoje, um trabalhador custa quase o dobro do que recebe líquido. Esse é um ponto central”, afirmou.

Para ele, a proposta em discussão pode trazer efeitos indesejados. “No nosso entendimento, não vai resolver o problema econômico e pode gerar mais dificuldades para empresas e também para os próprios trabalhadores”, concluiu.

A proposta sobre a jornada de trabalho segue em análise no Congresso Nacional e ainda deve passar por discussões e votações antes de qualquer mudança na legislação. O tema envolve interesses de trabalhadores, empregadores e do poder público, e continua mobilizando diferentes setores da sociedade.


Confira o áudio:





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