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Economia

Ano eleitoral e juros altos geram incertezas no setor da Construção Civil, avalia SINDUSCON


Setor inicia 2026 com cautela e expectativa de retomada do crescimento.

Por Rafael Martini
25/02/2026 às 06h51 | Atualizada em 25/02/2026 - 07h00
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O setor da construção civil começa 2026 em compasso de prudência. Assim como outros segmentos da economia, empresários e investidores acompanham com atenção o cenário político, especialmente por se tratar de um ano eleitoral, fator que influencia diretamente as projeções e decisões de investimento.

Em Santa Catarina, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) projeta crescimento de aproximadamente 2,73% para o setor. Apesar do indicativo positivo, a expansão vem acompanhada de preocupações, principalmente relacionadas à taxa básica de juros, a Selic, que impacta diretamente o financiamento de projetos imobiliários e industriais.

De acordo com o presidente do SindusCon – Sindicato da Construção Civil da região, Wagner Simioni, durante entrevista a reportagem da Rádio Rural, o momento exige análise criteriosa e planejamento estratégico por parte das empresas.

“Estamos iniciando 2026 com cautela. É um ano eleitoral e isso naturalmente gera uma expectativa maior do mercado. Existe uma projeção de crescimento, o que é positivo, mas precisamos observar principalmente o comportamento da taxa de juros, que influencia diretamente o crédito para apartamentos, galpões industriais e empreendimentos comerciais”, destaca Simioni.

Segundo ele, a manutenção da Selic em patamares elevados dificulta o acesso ao crédito e pode frear novos investimentos. A expectativa do setor é de que, superada a instabilidade política, haja espaço para redução dos juros, o que tende a estimular a demanda por imóveis e demais produtos da construção civil.

Outro desafio histórico apontado pelo presidente do SindusCon é a qualificação da mão de obra. “A formação e capacitação de profissionais continuam sendo uma necessidade constante. É um gargalo que o setor enfrenta há anos e que impacta diretamente na produtividade e na qualidade das entregas”, ressalta.

Além disso, 2026 marca um período de adaptação às mudanças trazidas pela reforma tributária. A insegurança em relação à aplicação prática das novas regras também integra a lista de preocupações do segmento. “Estamos avaliando com muito cuidado os efeitos da reforma tributária nos nossos negócios. Precisamos entender como isso vai impactar custos, contratos e, consequentemente, o consumidor final”, explica Simioni.

Apesar dos desafios, o sentimento predominante é de esperança. O setor aposta na superação das incertezas políticas, na retomada de um crescimento econômico mais robusto e no fortalecimento de toda a cadeia produtiva da construção civil.

“Acreditamos que, com estabilidade e um ambiente econômico mais favorável, poderemos alcançar resultados superiores aos dos últimos anos. O desejo é que tanto as empresas quanto os profissionais do setor tenham um ano de evolução e conquistas”, conclui o presidente do SindusCon.




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