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FIESC estima perda de 41,4 mil empregos em SC com redução da jornada para 40 horas sem corte salarial


Estudo aponta aumento de custos, queda nas exportações e recuo do PIB e foi entregue à bancada de SC

Por Rafael Martini
25/02/2026 às 08h55
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A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) estima que Santa Catarina poderá perder 41,4 mil vagas de trabalho nos próximos dois anos caso seja aprovada a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial. Do total projetado, 19,1 mil postos seriam extintos apenas na indústria, reflexo de um incremento de 9,7% nos custos do trabalho no setor.

O estudo foi entregue pela entidade à bancada catarinense na noite desta terça-feira (24) e alerta para impactos significativos na competitividade da economia estadual.

“A perda de competitividade da indústria de SC nos mercados internacionais e a redução no nível de atividade econômica vão impactar especialmente os setores intensivos em mão de obra e que são mais sensíveis a preços tanto no exterior como no Brasil”, afirma o presidente da FIESC, Gilberto Seleme. “Por isso, esse encontro do setor produtivo com os parlamentares é tão importante. A discussão sobre a redução da jornada de trabalho não pode ser feita de maneira apressada, pois as consequências são de grande relevância”, acrescenta.

Entre os segmentos mais afetados, segundo a Federação, estariam as indústrias de alimentos e madeira, grandes empregadoras e com forte presença nas exportações. “São setores que enfrentam concorrência pesada no exterior e têm pouco espaço para absorver aumentos de custos como os que seriam provocados pela redução da jornada sem redução de salários”, ressalta Seleme.

Impacto nas exportações e no PIB

O levantamento projeta uma queda de 1,07% nas exportações catarinenses no período de dois anos. Os recuos mais expressivos seriam registrados nas vendas externas de carne de aves (-3,3%) e carne suína (-3,1%), além de redução de 2,6% nas exportações de madeira bruta e de 2,4% nos produtos de madeira.
O documento também aponta retração de 0,6% no Produto Interno Bruto (PIB) de Santa Catarina. Na indústria, a queda estimada é ainda maior: 1,15% no período, com a região Oeste liderando as perdas, com recuo projetado de 1,39%.

De acordo com o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, que coordenou o estudo, a medida pode ampliar a perda de competitividade do produto brasileiro tanto no mercado externo quanto no interno.

“A participação de importados no mercado brasileiro passou de 13,4% em 2003 para 25% em 2023. Grande parte desses produtos vem de países com jornadas semanais superiores às do Brasil. Reduzir a jornada aqui sem ampliar a produtividade tende a resultar em menor produção e preços mais altos, ampliando ainda mais a perda de competitividade”, analisa.

Aumento de preços e possível automação

Embora a redução da jornada possa resultar em aumento de renda e, consequentemente, estimular o consumo, a FIESC avalia que esse efeito não seria suficiente para compensar as perdas econômicas. A estimativa é de aumento médio de preços de 2,64% em Santa Catarina.

Setores intensivos em mão de obra devem sentir impacto ainda maior, como a construção civil, com alta projetada de 4,26%. Alimentos (+3,6%) e vestuário (+3,57%) também aparecem entre os segmentos mais afetados, com impacto direto no orçamento das famílias.

Outro possível efeito colateral apontado pela entidade é a substituição de trabalhadores por sistemas automatizados, especialmente na indústria, como forma de compensar o aumento dos custos operacionais.

Debate no Congresso

O coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense, deputado Ismael dos Santos, defende que o debate sobre a flexibilização da jornada é necessário, mas critica a forma como vem sendo conduzido.

“Vai quebrar esse país. Tenho conversado com a indústria, o comércio e o terceiro setor. É impossível a implementação e neste momento é uma proposta eleitoreira”, afirmou o parlamentar.

A FIESC reforça que a discussão deve considerar os impactos econômicos e sociais de médio e longo prazo, defendendo que eventuais mudanças na legislação trabalhista sejam acompanhadas de medidas que ampliem a produtividade e preservem a competitividade da economia catarinense.


Fonte: Com informações da FIESC




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