NOTÍCIAS
Agropecuária
ACCS projeta recuperação no preço do suíno e alerta para riscos ao agro em ano eleitoral
Presidente critica propostas que, segundo ele, geram insegurança jurídica e aumento de custos.
Segundo ele, o comportamento de baixa no início do ano é histórico, mas a tendência agora é de retomada. “O mercado de suínos que nós tivemos a partir da primeira quinzena de janeiro com queda, eu acredito que tenha se estabilizado para esta semana e para a próxima semana. Já houve bolsas com possibilidade de aumento e eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade”, afirmou.
De acordo com Lorenzi, há previsão de alta nos preços pagos ao produtor nas próximas negociações, impulsionada pela oferta mais restrita de animais no mercado, pelo peso normal de abate e pelo bom desempenho das exportações. “Em fevereiro devemos ultrapassar 100 mil toneladas exportadas, da forma como está se exportando a cada semana. Tudo isso faz com que o mercado seja promissor”, destacou.
Outro fator que contribuiu para preservar a rentabilidade dos produtores, mesmo no período de baixa, foi a redução no preço do milho, principal componente da ração. “Isso ajudou a manter a lucratividade independente da queda momentânea no preço do suíno”, explicou.
Produção controlada e investimentos elevados
O presidente da ACCS ressaltou que o setor não registrou crescimento desordenado da produção nos últimos dois anos, principalmente em razão dos juros elevados e do alto custo para implantação de novos projetos. “Hoje, para começar um projeto na suinocultura, é preciso investir no mínimo R$ 10 milhões. Com juros altos, isso se torna caro e inviável. Por isso acreditamos que o ano será promissor, porque não houve excesso de oferta”, pontuou.
Ele também mencionou a influência do mercado da carne bovina. Com exportações em alta e abate superior ao número de nascimentos de bovinos, a recuperação do setor deve ser lenta, já que o ciclo produtivo é de aproximadamente quatro anos. “Isso ajuda a manter a carne suína em um patamar bom de preço”, observou.
Atenção à sanidade e à bioseguridade
Lorenzi enfatizou que o setor precisa manter atenção redobrada à sanidade animal e à bioseguridade, para evitar prejuízos como os registrados em outros países afetados por doenças. “Não podemos perder mercados importantes por falhas sanitárias”, alertou.
Preocupações com políticas públicas e cenário eleitoral
O dirigente também manifestou preocupação com propostas que, segundo ele, podem impactar negativamente o agronegócio. Uma delas seria a possibilidade de limitar exportações de carne bovina para reduzir preços no mercado interno. “Vejo isso como populismo. Ao invés de criar políticas para aumentar a renda da população, se fala em proibir exportações em ano eleitoral”, criticou.
Outra preocupação citada é a proposta de alteração da jornada de trabalho, reduzindo a carga semanal. Para Lorenzi, a medida pode elevar ainda mais os custos do setor produtivo. “No agro não se trabalha apenas oito horas por dia. Além do salário, há encargos como décimo terceiro, férias, adicionais e tributos sobre a folha. A carga é muito pesada”, afirmou.
Ele comparou o cenário brasileiro com o de países vizinhos, citando medidas adotadas na Argentina e no Paraguai para flexibilizar jornadas e reduzir impostos, com o objetivo de atrair investimentos. “Enquanto outros países oferecem segurança jurídica e incentivo, aqui vemos mudanças constantes na legislação e aumento de custos”, declarou.
Insegurança jurídica e defesa do setor
Lorenzi também mencionou preocupações com segurança no campo, disputas fundiárias e aumento da criminalidade rural. Segundo ele, a insegurança jurídica pode comprometer investimentos e financiamentos na atividade.
“O Brasil se tornou o maior exportador de proteínas animais do mundo, mesmo com todas as dificuldades. Precisamos de políticas que garantam segurança ao empreendedor para que possamos continuar gerando emprego e renda”, concluiu.
VEJA TAMBÉM
17/02/2026 - Agropecuária - 10h
12/02/2026 - Agropecuária - 17h
10/02/2026 - Agropecuária - 13h
10/02/2026 - Agropecuária - 05h
03/02/2026 - Agropecuária - 11h
02/02/2026 - Agropecuária - 09h












