NOTÍCIAS



Justiça

Médico denunciado por abuso contra pacientes tem prisão decretada em segunda instância


MP determina prisão preventiva de profissional acusado de importunação sexual contra 10 mulheres.

Por Rafael Martini
04/03/2026 às 07h21
Compartilhar


Em novembro do ano passado, um médico de Catanduvas, no Meio-Oeste, foi denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) por supostamente abusar sexualmente de pelo menos 10 pacientes mulheres, valendo-se da relação de confiança para satisfazer a própria lascívia. Na época, o Poder Judiciário negou o pedido de prisão preventiva, então a Promotoria de Justiça da Comarca de Catanduvas recorreu à segunda instância. Agora, o recurso foi julgado e provido por unanimidade, e o réu teve a prisão decretada.

O parecer emitido pelo Procurador de Justiça do MPSC Luis Eduardo Couto de Oliveira Souto em segundo grau validou o recurso da Promotoria de Justiça da Comarca de Catanduvas, afirmando que a prisão visa atender “não apenas à ordem pública, notadamente diante da gravidade concreta dos fatos e reprovabilidade da conduta, mas também evitar que o médico intimidasse as vítimas e eventuais testemunhas e repetisse o comportamento delitivo em ambientes clínicos, sejam públicos ou privados”. 

O Promotor de Justiça Paulo Roberto Colombo Junior, que atualmente responde pela Promotoria de Justiça da Comarca de Catanduvas, diz que a medida é essencial para garantir a segurança das pacientes e a lisura do processo. “É preciso esclarecer que o MPSC foi favorável à prisão desde o primeiro momento, por entender que ela se mostra necessária para resguardar a ordem pública, impedir a reiteração criminosa e assegurar que as vítimas possam relatar os fatos com tranquilidade, sem qualquer tipo de pressão ou constrangimento”, diz. 

Ele afirma que o mero afastamento do médico não é suficiente para garantir a segurança das vítimas. “Conforme exposto no recurso, se nem mesmo o compromisso ético assumido perante a Medicina impediu o acusado de violar a dignidade sexual de inúmeras mulheres, não é seu mero afastamento profissional que irá inibir novos crimes em outros contextos”, conclui o Promotor de Justiça. 

Segundo a denúncia do MPSC, construída com base nas investigações da Polícia Civil, “o médico, mesmo não sendo ginecologista, realizava supostos exames invasivos sem justificativa técnica, tocava a região íntima das pacientes sem autorização, expunha seus seios sob pretextos clínicos infundados e fazia comentários de cunho sexual durante os atendimentos”. 

O crime atribuído ao médico é o de importunação sexual contra 10 mulheres, definido pelo Código Penal como “praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro”. Ainda de acordo com a denúncia, “ele levou as vítimas a acreditarem que os atos praticados integravam procedimentos médicos legítimos, quando, na realidade, simulava exames clínicos com o propósito exclusivo de praticar atos libidinosos”. 


Fonte: Com informações do MP/SC




SEJA O PRIMEIRO A COMENTAR




VEJA TAMBÉM